Mostrando postagens com marcador ebook. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ebook. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de setembro de 2013

evolução

Blender 3D, um software gratuito profissional


Esta imagem veio deste vídeo do Youtube ensinando a modelar no Blender (em inglês).
 Ao olhar para trás, aqueles que, como eu, acompanham o desenvolvimento de softwares de computação gráfica, ficam espantados com a tremenda reviravolta no mercado.

Há uns 10 ou 15 anos atrás, poucos softwares dominavam o cenário em todas as áreas. Eram softwares caríssimos, ainda mais caros na área de computação gráfica (cg). Pagava-se, no mínimo, U$ 5.000 por alguns deles. Muitos programas vinham com um dispositivo físico que tinha que ser instalado no computador para bloquear qualquer tentativa de pirataria.

Mas, o cenário mudou. Hoje, há centenas de softwares gratuitos ou de preço mais acessível. Eu disse centenas? Corrigindo: se estamos falando de TODAS as áreas (pacote de escritório, softwares de imagem, agendas, criação de sites, softwares científicos, computação gráfica, softwares de segurança, etc, etc) então esse número sobe à casa de dezenas de milhares, talvez até centenas de milhares.

É um oceano de softwares os mais variados. Para encontrar o mais adequado ao nosso uso, é preciso buscar, buscar, experimentar. Bem, mas aqui estamos falando de computação gráfica e, mais especificamente, do Blender 3D. Então, foquemos no assunto.

O que é, afinal, computação gráfica?

A rigor, computação gráfica é imagem. Qualquer imagem. Então, o Paint, pequeno programa de criação de imagens que vem com o Windows, não deixa de ser "computação gráfica". No entanto, quando se usa esse termo, em geral se está referindo a programas que simulam um ambiente tridimensional. Pode-se, por exemplo, criar uma cena com uma árvore, uma casa, um sol se pondo.

O ambiente virtual simula o mundo físico. Isso está sendo feito de forma cada vez mais realista, a ponto de não se poder mais distinguir se uma determinada imagem é uma foto ou foi criada no computador.

Usando programas de computação gráfica é que se faz filmes como Shrek, ou filmes-catástrofe com prédios explodindo, ou filmes como Avatar, só para citar um.

No entanto, a computação gráfica também é muito utilizada para criar capas de livros, ou ilustrações internas de livros e revistas. Na Editora Sucesso, usamos bastante o Blender, o Vue e, ocasionalmente, alguns outros softwares de computação gráfica.

Blender

Blender 3d é um software opensource, isto é, de código aberto. Isso significa que as milhares de linhas de código que compõem o programa estão disponíveis na internet para serem baixadas, analisadas e até modificadas por um usuário mais experiente. Isso tem uma vantagem adicional: não há nenhum software espião embutido pois, se houvesse, seria descoberto instantaneamente pelos usuários que conhecem linguagem de computação. Já nos softwares pagos...

Blender é gratuito. E aí logo vem a pergunta: mas, se é gratuito, que vantagem os desenvolvedores têm em mantê-lo no ar, atualizá-lo, investir tempo nele? A resposta é múltipla:

- os desenvolvedores oferecem cursos de Blender a baixo custo, camisetas, CDs com bibliotecas, etc;
- os usuários podem usar comercialmente o software para atender a seus clientes;
- usuários mais experientes oferecem cursos e tutoriais. Os cursos têm um preço, ainda que baixo, e os tutoriais são precedidos de publicidade do Google / Youtube, e uma porcentagem do dinheiro obtido com essa publicidade vai para o autor do tutorial.

Em resumo: software gratuito é aquele em que muitas pessoas ganham um pouco de dinheiro cada uma. Software pago é aquele em que poucas pessoas ganham MUITO, MUITO dinheiro.

A imagem que ilustra este post demonstra como o Blender, nas mãos de um artista, pode gerar imagens tocantes e intensas. Para isso, é preciso que o artista seja talentoso mas, também, é fundamental que a ferramenta tenha uma qualidade superlativa. E o Blender tem.

Se quiser experimentar o Blender, você pode baixá-lo em http://www.blender.org . Na internet você encontra uma quantidade colossal de tutoriais para começar a trabalhar com o software. Abaixo, alguns endereços:

Aqui temos o curso básico, gratuito, oferecido pelo prof. Allan Brito, arquiteto e expert em Blender. Para fazer o curso é preciso se inscrever, o que também é gratuito. Os cursos avançados do Blender custam R$ 39,90.

Os tutoriais do site Little Web Hut (Pequena Cabana da Internet) são bem didáticos e pedagógicos. O link acima remete especificamente para os tutoriais do Blender. São tutoriais em inglês, mas se você sabe o básico do idioma, conseguirá entender. Aliás, esses tutoriais servirão para incrementar seu inglês!

A página da VScorpianC tem tutoriais de diversos softwares, incluindo Blender, Gimp (criação de imagens) e InkScape (imagens vetoriais). VScorpianC é uma mulher. Isso é incomum para o Blender, pois a computação gráfica é meio que um "clube do Bolinha". Os tutoriais deste site são excelentes, explanados num clima de descontração e cordialidade.


domingo, 8 de julho de 2012

Lançar um livro - a evolução


A humanidade evoluiu muito em tecnologia no século 20, embora não tenha evoluído tanto assim em termos de civilidade e humanidade.

Para tomarmos consciência dessa evolução, vamos imaginar um autor de livro há 100 anos atrás. Ele tinha que escrever sua obra com papel e caneta. As canetas ainda eram caras, embora a ponta não fosse mais de rubi, como no século 19. Mas o pior é que a escrita em papel não segue a velocidade do pensamento.

Além disso, era preciso cuidar muito bem daquele calhamaço, pois ele era, como diz o ditado popular, "filho único de mãe viúva". Se fosse perdido, todo trabalho de meses - ou até anos - estaria perdido.

Mas o mais difícil não era escrever, era publicar. Era caríssimo publicar um livro, e as poucas editoras evitavam se arriscar com autores iniciantes. As tiragens eram limitadas e ler livros era um luxo para poucos.

Depois veio a caneta esferográfica e a máquina de escrever. Essas duas invenções tiveram um impacto enorme nos costumes. Muito mais pessoas passaram a escrever cartas, postais e livros.

Foi uma revolução. Mas a grande, gigantesca revolução veio com os computadores pessoais, os PCs. Agora era possível guardar cópias em disquete dos originais. Agora era possível escolher a fonte (tipo de letra) com a qual escrever o livro.

As ondas tecnológicas vieram mais rápidas depois do computador. Houve uma nova revolução, a internet. Surgiram os notebooks, netbooks, tablets, e-readers... ufa! Estamos bem supridos de tecnologia para escrever e publicar um livro.

Como a editora pode ajudar o autor

Publicar um livro envolve as seguintes etapas:

  1. revisão ortográfica e gramatical
  2. diagramação
  3. tratamento de imagens, se houver
  4. criação da capa
  5. registro na Biblioteca Nacional (em nome da Editora ou do autor)
  6. obtenção do código ISBN

A partir daí, caso se trate de livro em papel, é preciso escolher uma gráfica para imprimir ou, se for um livro digital (e-book) é preciso escolher a livraria ou portal que irá comercializá-lo. Sempre é bom lembrar que uma coisa não exclui a outra. É normal que os livros, atualmente, sejam publicados em papel e em formato digital.

Mesmo que o autor decida publicar seu livro de modo independente (sem o selo de uma editora), vale a pena utilizar os serviços que as editoras disponibilizam, justamente para executar as seis etapas descritas acima.

A vantagem de contratar uma editora está no fato de o autor contar com um serviço especializado, dando ao seu livro - mesmo um livro independente - um aspecto profissional que causa boa impressão no leitor.


terça-feira, 6 de março de 2012

As editoras não decifraram o eBook


Duas grandes revistas brasileiras são vendidas em formato eBook, para o iPad. Uma delas cobra R$ 3,99 por exemplar e outra R$ 4,99.

Esses preços são razoáveis? Façamos uma comparação: a revista Newsweek custa U$ 19,99 por UM ANO DE ASSINATURA. Parece até piada: R$ 4,99 por exemplar versus U$ 19,99 por UM ANO DE ASSINATURA.

As grandes editoras brasileiras odeiam o formato digital. Por isso, querem forçar o consumidor ao papel, como se fosse possível frear a revolução digital em curso. Esta é a oportunidade que as pequenas editoras precisam aproveitar. E até mesmo os autores independentes, caso as editoras - grandes e pequenas - continuem a fingir que as coisas continuam da mesma forma que eram no século passado.

Os preços do formato digital não podem estar baseados nos preços do formato em papel. Não é razoável pois o principal custo das publicações em papel está no próprio papel e na tinta. Eliminados estes dois, é possível reduzir dramaticamente os preços ao consumidor - como a Newsweek fez - e ganhar na quantidade.

Oferecer conteúdo digital por preços baixos é fundamental. Além de ser uma política mais inteligente do ponto de vista comercial, é uma atitude que permite acesso de mais camadas da população aos livros e revistas. Mas provavelmente nossos editores são elitistas demais para dar importância a isso.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Volta à ativa

Imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
Este blogueiro foi obrigado a deixar este blog sem atualizações. Os afazeres profissionais se avolumaram. E isso é o resultado de um Brasil que cresce junto com a América Latina, enquanto a Europa experimenta o ocaso de seu poder e os EUA se equilibram à beira do abismo econômico.

Este momento é totalmente novo para os seres humanos que vivem hoje no Planeta. Mas é natural que o mundo mude e o poder troque de mãos. O Império Romano iria durar para sempre, na cabeça de alguns romanos. Mas foi extinto. Assim também a máquina de escrever seria a forma mais moderna de escrever um texto. Mas foi substituída pelo computador. Windows seria o sistema operacional definitivo para toda a eternidade. Mas o Android domina os tablets. E os tablets estão vendendo como água no deserto.

Os livros em papel também terão seu fim, talvez no final deste século, talvez antes. Mas temos muito tempo antes disso ocorrer.

Por ora, a venda de livros em papel talvez até cresça na América Latina, resultado do surgimento de uma nova classe média que, antes, estava fora da sociedade de consumo. Irônicamente, na Europa e EUA o movimento é o contrário: a classe média está se empobrecendo rapidamente.

Bem, o fato é que os clientes querem comprar da editora para a qual este blogueiro presta serviço. É um momento para as pequenas empresas crescerem.

Com a maior parte do serviço já entregue, posso voltar a escrever neste espaço.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Tablets e eReaders


Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Essa expressão bem brasileira deve ser usada quando falamos de eReaders e tablets. Até aqui, este site tem chamado os dois dispositivos de tablets, indistintamente. A partir de agora, vamos mudar isso, separando as denominações, para melhor esclarecimento do leitor.

O que é um tablet?
É um computador portátil, com pequena memória e pequena capacidade de processamento. Em compensação, é extremamente portátil (existe essa expressão?), ainda mais do que um notebook ou um netbook É leve, pequeno o suficiente para caber no bolso do paletó, mas grande o suficiente para permitir uma boa visualização de e-mails, sites e jogos. Tem tela de LED, ou seja, é uma tela de computador em miniatura.

O tablet é usado para jogar, acessar a internet, escrever textos, ver vídeos, etc. Não tem capacidade, no entanto, para uma planilha eletrônica mais pesada, ou para um editor de vídeos, só para citar dois exemplos do que ele NÃO pode fazer. Portanto, o tablet NÃO substitui um notebook, muito menos um PC.

O que é um eReader?

eReader é um tipo especial de tablet. Para falarmos dele, é significativo dizer o que ele NÃO faz:

- eReader não permite assistir vídeos
- eReader não roda jogos
- eReader não tem tem luz na tela
- eReader não mostra cores. A tela é em preto e branco

Falando assim, a garotada que é conectadíssima ao mundo digital logo reclama: "então, não dá pra fazer nada com esse tal de eReader". Na verdade, os eReaders foram feitos para honrar o nome que têm: leitores digitais. Eles foram feitos para ler livros. Sua tela sem luz é agradável como papel. Por não terem luz são mais leves.

Então essa é a diferença entre um tablet e um eReader. Como mostra a imagem acima, até a maneira de segurar acaba sendo diferente. Note-se como o eReader está sendo segurado como se fosse um livro. Repetimos: é possível, sim, ler livros no tablet, mas é mais agradável ler num eReader.

O eReader mais famoso é o Kindle, da poderosa Amazon. Como todos os seus concorrentes, a tela é de e-ink (tinta digital), ou seja, não mostra cores e não tem luz. O problema é quando se trata de um livro com imagens coloridas. Ou contendo vídeos e gráficos interativos, como o eBook do Al Gore, que mostramos aqui. E a tendência é, justamente, a de eBooks que contenham esses elementos que não podem ser aproveitados num eReader...

Mas, no momento, 95% dos eBooks têm apenas textos e uma ou outra imagem. Então, ainda há uma longa vida pela frente para os simpáticos e despojados eReaders.



sábado, 3 de dezembro de 2011

Mais leitura, urgente!!


Site dessa imagem aqui

Para que os livros em papel e os eBooks sejam produtos mais vendidos em nosso país, é preciso estimular o hábito da leitura. O Brasil melhorou nesse quesito nos últimos anos, mas ainda está longe de países vizinhos, que cultivam a leitura como um fator fundamental de Educação.

O baixo índice de leitura explica porque os alunos do ensino fundamental e médio vão tão mal nas provas de redação do ENEM. O estado de São Paulo, por exemplo, obteve uma das mais baixas notas nesse quesito.

A falta do hábito de leitura explica também porque vemos tantos erros de portugues em placas, cartazes e avisos. Todos podemos errar. Não somos perfeitos. Mas, além de um certo limite, o erro denota ausência de leitura.

Será que o Brasil se diferencia de seus vizinhos por se espelhar excessivamente nos EUA? Afinal, com todos os méritos que os EUA têm, trata-se de um país que tem baixíssimo índice de leitura e baixíssima qualidade na Educação básica pública.

A maioria dos tablets tem inúmeras funções, além da leitura de livros. E boa parte dos jovens entende os livros como uma obrigação, como algo que ele tem que "encarar" quando está na faculdade.

Os jovens que agora já estão em postos de trabalho e que se formaram na década passada já encontraram uma escola - seja pública ou particular - com qualidade bastante questionável. Por isso, não é surpresa vermos placas, avisos e menus de restaurantes com erros graves de português. Também por isso é comum que haja dificuldade de intelecção de textos nas empresas.

Recentemente, o MEC lançou a campanha pelo livro popular, Nós, que militamos na área de Ebooks e livros em papel, precisamos encontrar meios de estimular a leitura. Uma iniciativa que vai nesse sentido é o Programa do Livro Popular (PLP), lançado pelo Ministério da Cultura, que visa baratear o livro e facilitar o acesso a ele por parte das camadas mais pobres da população.

Ao abrir inscrições para editoras e revendedores, o PLP também estimula essas empresas a se conectar mais com os leitores da classe C. As obras devem ter preço máximo de R$ 10,00. Para as grandes editoras, cujos custos são maiores, não é fácil chegar a esse preço. As editoras pequenas, por seus custos menores, talvez levem vantagem.

O PLP é uma boa iniciativa, mas não pode ser a única. É mister que mudemos os paradigmas dos brasileiros em relação ao livro e à leitura.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Convergência para onde?

Imagem: Michal Marcol


Em 2016, segundo as metas oficiais, a TV digital estará implantada em todo o Brasil. Mesmo que haja algum atraso, terminaremos a década com a TV digital em pleno funcionamento.

Estamos, portanto, caminhando para o fim das "emissoras" de TV. Aliás, as antenas já não são mais tão fáceis de se ver nos telhados das casas, pois boa parte dos lares tem tv a cabo.

Já tivemos o fim da máquina de escrever e dos antigos LPs, entre outros itens. Agora caminham para a extinção o CD, o telefone fixo, a televisão aberta e as câmeras fotográficas com filme.

Temos que citar também o previsível fim das videolocadoras, com o advento das empresas de filmes online. Os cinemas também terão seu público reduzido, pois muitas famílias terão a opção de assistir filmes no conforto do lar, na TV ultra-hiper-hd de muitas, muitas polegadas.

O livro em papel ainda permanecerá muitos anos, mas agora convivendo com o livro digital, o eBook. No futuro, talvez na próxima década, a tendência é a de que o livro em papel fique restrito a bolsões culturais mantidos por aficcionados. Assim como o livro manuscrito seguiu, por algum tempo, lado a lado com o livro impresso, também o livro em papel seguirá com seu mercado, ao lado do eBook.

Mas, respondendo à pergunta que dá título a este artigo, a convergência de todas as mídias é para uma única: a internet. Não é à toa que a web é chamada de "a mídia de todas as mídias". Para ela convergirão rádio, tv, cinema, telefonia, fotografia, literatura, educação... esqueci alguma coisa? Ah, sim, também para a internet convergirão revistas, jornais, noticiários e veículos informativos em geral. No Brasil e no mundo, a venda de jornais e revistas decresce.

Por isso, vamos nos acostumar à ideia de que assistiremos à televisão por sinal de internet, assim como por ela ouviremos rádio, leremos jornais e faremos cursos à distância e efetuaremos ligações telefônicas. Com vídeo, claro!

Nesse novo mundo, os tablets serão companheiros de bolso e de bolsa. Não sairemos de casa sem eles.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Paraquedas e paradigmas

Tablets caindo do céu

Imagem criada por RLocatelli a partir de uma foto original de hotblack
O site techtudo nos informa que uma ONG decidiu jogar tablets de paraquedas para crianças do "terceiro mundo".

Segundo a notícia, a "...OLPC (sigla da ONG “Um Laptop por Criança”) pretende enviar tablets para crianças de países em desenvolvimento e testar a capacidade delas interagirem com os dispositivos, sem professores, manuais, cursos, nada. A ideia é medir a capacidade de interação da criançada com os equipamentos e ver se elas conseguem não apenas aprender a usá-los sozinhas, mas ensinar aos demais.

Depois de caírem do céu em paraquedas, os tablets da OLPC serão absorvidos pelas comunidades remotas. Aí, um ano depois, membros da OLPC irão aos lugares estudar e analisar os efeitos da chegada dos tablets na educação das crianças."

Isso nos faz pensar: será que essas ONGs do "primeiro mundo", ou seja, dos países que estão afundando na crise econômica, ainda se acham os donos do mundo? E será que eles ainda acham que a capital do Brasil é Buenos Aires?

Claro que é louvável a preocupação com as crianças e sua evolução. Mas não parece algum tipo de experiência feita com as crianças, para ver no que dá?

Os países pobres já não são tão pobres assim. Por exemplo, certas regiões da África fizeram do celular o seu banco. As transações comerciais são feitas de forma eletrônica, transferindo-se créditos do celular do comprador para o celular do vendedor, dispensando a intervenção de bancos comerciais. Muito inteligente e muito revolucionário. Você acha que esses africanos precisam de tablets jogados de paraquedas? Eles provavelmente já os tem, made in China. Assim como já usam geradores solares de eletricidade e lâmpadas de LED, que são as lâmpadas mais avançadas em uso atualmente.

Outras perguntas: como garantir que os tablets caiam nas mãos das crianças, se eles serão simplesmente jogadas de paraquedas? Qual o idioma do sistema operacional dos tablets? O idioma da comunidade? Ou o inglês? A quantidade de tablets será suficiente para a comunidade sobre a qual eles serão jogados? Ou as crianças terão que lutar entre si para conseguir ter um?

Melhor fez a Índia que criou o Aakash, um tablet de U$ 35,00, acessível a boa parte da população do país.

Melhor fez o Brasil que desonerou os tablets e já se prepara para fabricá-los no país, inclusive o iPad.

Não são ONGs de países do "primeiro mundo" que melhorarão o mundo. A própria população dos países em desenvolvimento encontrará seus caminhos, sem precisar ser tutelada por ninguém.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Publicar um eBook (ou livro em papel) - Parte 1


Site dessa imagem aqui

Daremos aqui, algumas orientações para publicar um livro digital, seja para autores, seja para editoras.

Na verdade, o eBook não é um livro em formato digital. Ele é outra coisa, muito maior. Uma nova forma de literatura, de arte, de expressão. Mas, vá lá, nestes primeiros tempos, os autores e editoras ainda tentam fazer com que ele se pareça com um livro, como mostra a imagem deste artigo.

O primeiro passo, obviamente, é escrever o livro, levando em conta o público-alvo, o tipo de linguagem que será utilizada e o potencial de vendas... Bem, cancelemos esses itens. O autor, em geral, não leva em conta nada disso. Ele simplesmente sente necessidade de se expressar, e escreve o livro. Cabe à editora, então, avaliar a qualidade do livro e sua viabilidade econômica.

O segundo passo do autor é tomar a decisão: publicar de maneira independente, "por conta própria", ou procurar uma editora. Detalhe: o autor pode utilizar os serviços de uma editora e, mesmo assim, publicar de maneira independente. É uma ótima alternativa. Vamos detalhar as três opções:

Na primeira, o autor não procura uma editora. Ele mesmo formata o livro e, caso seja um livro em papel, manda imprimir numa gráfica. Nestes casos, não costuma haver revisão ortográfica e gramatical, nem contratação de um capista profissional, nem diagramador. O livro também não recebe o código de barras, pois o autor não sabe que pode registrá-lo como pessoa física. Ao não ter o código, fica praticamente impossível vendê-lo em grandes lojas ou livrarias.

Quando o autor, mesmo com a intenção de publicar de modo independente sua obra, procura o auxílio técnico de uma editora, muitas coisas tendem a melhorar:

- o livro recebe o código de barras, pois a editora orienta o autor a registrá-lo, para que a obra tenha um número no ISBN (catálogo internacional de livros);

- a capa fica melhor, pois que desenhada por um profissional da área;

- a diagramação fica mais profissional, proporcionando uma experiência de leitura agradável.

- a qualidade de impressão fica melhor, pois a editora tem relacionamento com gráficas que trabalham com essa qualidade;

- a chance de o autor vender melhor seu livro aumenta, com as orientações da editora.

Claro que estamos supondo uma editora responsável e séria. Nem todas são. Há maus profissionais em todas as áreas, de motoristas de táxi a cirurgiões-dentistas. A área de editoras não é exceção.

A terceira opção, em que o autor decide publicar sua obra pela editora, tem todas as vantagens elencadas acima e mais algumas:

- a editora poderá vender seu livro em sites; poderá entregá-lo a uma distribuidora. Tudo isso amplia o volume de vendas;

- a editora poderá inscrever o livro em licitações públicas ou privadas. Isso abre a possibilidade de um volume de vendas muito grande;

- a editora poderá inscrever o livro em concursos literários e dividir o prêmio com o autor.

- o livro terá mais credibilidade, ao ostentar o logotipo de uma editora em sua capa e contracapa.
No próximo artigo, vamos falar de um assunto que interessa às editoras e aos autores: como vender um livro? Como fazer a tão necessária ponte de comunicação entre o livro e os leitores em potencial?



domingo, 6 de novembro de 2011

Impressões de BH



Estou compondo este artigo do blog num espaço público de BH, usando meu netbook e a excelente conexão wireless que a prefeitura da cidade disponibiliza por toda uma área.

Comigo tenho vários equipamentos eletrônicos. Façamos um inventário: netbook, kindle, mp3 player. celular, pendrive e um relógio com mostrador digital.

Em minha estada na capital mineira encontrei um garoto de 8 anos que tem dois notebooks antigos que seus parentes passaram para ele ao comprarem equipamentos mais atuais. Tem também um tablet que ele usa para jogar e colecionar figurinhas virtuais.

Mônica, uma bela moça de origem libanesa, usa um poderoso PC em seu trabalho e outro, também potente, em casa. Prova viva de que o PC não morreu. Bem longe disso. Ela também usa notebook, smartphone, etc. Sua mãe adora jogos de computador, preferencialmente corrida de automóveis. Também assiste a vídeos do Youtube, e se diverte muito com eles. 

Nos shoppings, como o Diamond Mall, jovens, crianças e adultos usam seus celulares e smartphones para combinarem passeios. Nos farois, não se vê mais as crianças pobres fazendo malabarismo. Perguntei a um taxista onde elas estavam, já que eram comuns em todos os semáforos do centro. Ele me respondeu:
- Estão na escola, doutor. É o Bolsa-Família. Se elas não estiverem frequentando a escola e a fiscalização descobrir, a família perde o Bolsa-Família.
Aproveitei o início do papo já entabulado e comentei:
- O GPS facilitou a vida dos taxistas, não?
- E como, doutor. A cabeça do taxista não precisa mais guardar nome de rua e localização. Assim, fica mais livre para se concentrar no trânsito.

Os mineiros são muito acolhedores. São muito inteligentes e percebem o que há por trás dos fatos e das pessoas, mesmo quando fazem um ar de desentendidos.

Belo Horizonte conectada não perdeu seu ar de Belo Horizonte. Apenas o atualizou. O sotaque é o mesmo, agradável. Completamente diferente do sotaque do interior de Minas. As ruas continuam bonitas e arborizadas, pelo menos no centro e Savassi. Mas as pessoas têm mais informação. Seja o garoto de 8 anos que tem um tablet e dois notebooks, seja o taxista, seja a moça de origem libanesa e sua família. Claro, isso não quer dizer que as pessoas efetvamentee se informarão mais. Mas pelo menos têm uma porta aberta para isso.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Inclusão digital avança

Brasil já é o terceiro no mundo
em número de internautas
Créditos da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
Levantamento do Instituto Ibope Nielsen Online mostrou que o Brasil superou a Alemanha em número de pessoas com acesso à internet. Chegamos a 46,3 milhões de internautas.

No ano passado, já havíamos superado a França e o Reino Unido. Dos BRICS (conjunto de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China e África do Sul) nós estamos na frente em crescimento do número de computadores. Os índices brasileiros se superam a cada ano.

Estamos atrás apenas dos EUA, campeoníssimos, com 203 milhões de usuários da web, e do Japão, que ocupa o segundo lugar com 62 milhões de internautas. China e Índia, embora tenham populações que superam 1 bilhão de pessoas, são países de famílias predominantemente pobres. Por isso, ficam para trás nessa corrida pela inclusão digital. Rússia e África do Sul, além de também sofrerem com o alto índice de pobreza, têm populações bem menores que os dois gigantes asiáticos.

O número de residências brasileiras com acesso à web subiu de 48 milhões, em 2010, para 58 milhões no terceiro trimestre de 2011, um crescimento assombroso, que corre junto com o crescimento do número de computadores. Esse foi o maior crescimento anual já registrado na década.

Internet fora de casa

Quando se inclui, nesse levantamento, os acessos à web no trabalho, na escola, em lan houses, etc, os números são ainda mais impressionantes: atingimos 77,8 milhões de internautas!

É líquido e certo que esses internautas que ainda não têm internet em casa almejam esse acesso. Certamente esse Natal será um Natal eletrônico, em que muitos computadores, tablets, notebooks e netbooks sairão das prateleiras das lojas para as residências da classe média emergente.

Uma outra possibilidade, para os jovens que já têm um aparelho portátil mas ainda não têm internet em casa, é o acesso sem fio em livrarias, rodoviárias e locais públicos. Por exemplo, a rodoviária de Belo Horizonte tem internet sem fio de alta velocidade oferecida pela prefeitura. Outro exemplo é a Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, que tem internet sem fio gratuita oferecida pelo governo do Estado.

Há também muitas pequenas cidades que oferecem acesso à web, gratuitamente, a todos. Damos aqui o exemplo da cidade de Pedreira, interior de São Paulo. A prefeitura provê, a todos os 45.000 habitantes, internet sem fio.

Isso representa um mercado potencial de fazer cair o queixo de todos os comerciantes. Imagine-se as possibilidades de venda de livros eletrônicos a essa população ávida por desbravar um novo mundo que, na década passada, estava completamente fora de suas capacidades financeiras.

Até as novelas começam a focar a nova classe média
Potencial de expansão

Estamos entrando na segunda década do século. A ascensão do Brasil parece acelerar ainda mais. Enquanto a Europa tenta sair de uma crise infindável, o Brasil se dá ao luxo de fazer duras exigências para permitir que empresas automobilísticas se instalem aqui, o que mostra a pujança de nosso país.

Para as editoras, é um momento mágico, de conquistar esses novos clientes, oferecendo preços competitivos, tanto para livros em papel, como para os eBooks. No caso dos eBooks, as pequenas editoras estão em vantagem, pois seus custos são menores e elas são capazes de ter um relacionamento mais próximo com os clientes.

Aliás, como pode ser esse relacionamento? Falaremos disso em breve.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os autores nacionais

Complexo de vira-latas no mundo dos livros


Muito se fala do chamado complexo de vira-latas do brasileiro. Essa expressão foi criada pelo dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, e caiu como uma carapuça naquelas pessoas que acham que só o que é bom é o que vem de fora.

Tempos atrás, no auge da era Harry Potter, um autor brasileiro, com mais de 10 livros publicados, com um público cativo, tentou, em várias livrarias, colocar algum cartaz ou propaganda de seu novo livro. As livrarias se recusaram. Não era possível. Não havia espaço. Quando ele argumentou que havia espaço para colocar caldeirões de Harry Potter nos corredores da livraria,  e cartazes do livro O Senhor dos Aneis pendurados por toda a loja, os gerentes das livrarias respondiam algo como:

- Ah, mas é o Harry Potter, né?

Para o Harry Potter, que vem da Europa, há espaço de sobra. Mas um autor brasileiro, com venda garantida, não pode contar com isso. Para romper esse bloqueio, é preciso ser um Jô Soares, um Paulo Coelho, ou então algum artista. Mesmo assim, eles não têm o destaque que os livros vindos de fora têm.


Este blogueiro não tem nada contra Harry Potter. Ao contrário, gosto muito da série, que revela, entre outras coisas, os meandros das relações humanas, mormente as relações entre o professor e o aprendiz. Gosto muito do Senhor dos Aneis, um livro que conseguiu condensar boa parte da mitologia nórdica, o que não é pouca coisa.

Mas gostaria de ver os autores brasileiros tratados com a mesma deferência dos estrangeiros. Algumas livrarias nos dão a nítida impressão que priorizam os romances vindos da Europa ou dos EUA, mesmo que sejam de baixa qualidade.

É impressionante como ainda temos esse complexo de vira-latas, mesmo com o Brasil sendo respeitado e admirado em todo o mundo, enquanto a Europa naufraga em dívidas. É hora de eliminarmos esse cacoete do passado. Somos uma das nações mais poderosas do mundo. Somos o terceiro país do mundo em acesso à internet, à frente da Alemanha e atrás apenas da China e dos EUA. Enquanto a Europa vai de pires na mão ao FMI, o Brasil se dá ao luxo de fazer duras exigências para autorizar empresas a se instalar em nosso país.

Esperemos que o eBook democratize mais o acesso dos autores brasileiros ao público leitor. Ao que parece, isso tem todas as chances de acontecer. O próximo Natal será, no dizer de alguns, "o Natal dos tablets". Os preços desses computadores ultra-portáteis estão caindo, ainda mais agora com a redução de impostos.

A Europa e os EUA vivem uma crise econômica muito grave. Essa crise, certamente, se refletirá numa crise de criatividade. Teremos menos autores estrangeiros lançando obras com uma megaestrutura de apoio logístico e de marketing. Até nos filmes sentiremos isso. Este ano não tivemos James Bond!! Pura falta de recursos.

Como dizem os chineses, crise é oportunidade. Que esta dificuldade da Europa e dos EUA sejam uma porta aberta para os autores brasileiros ganharem espaço nos corredores das livrarias brasileiras.


domingo, 30 de outubro de 2011

Os tablets servem para quê?

Estímulo à leitura é fundamental


Este blog já publicou matéria questionando o uso que os jovens dão aos tablets. Esses computadores de mesa servem para receber emails, navegar na internet, ouvir música, brincar com jogos eletrônicos, conversar online com os amigos, receber notícias... e também para ler livros. Mas ler livros é, para muitos jovens, a última coisa que eles pensam em fazer no tablet.

Não podemos culpar os tablets pelo fato de que poucos os usam para ler livros. Nossa Educação, aqui no Brasil, é copiada do modelos dos EUA. E a Educação nos EUA faliu, como eles próprios reconhecem. Lá, como aqui, a Educação da população não é prioridade. Para percebermos isso basta olhar para as escolas públicas de primeiro e segundo grau: vidros quebrados, prédios velhos, lugares feios e sujos para nossas crianças. Professores recebendo menos de R$ 1.000,00 por mês por 40 horas semanais. Como esperar que esses professores comprem livros ou façam cursos de especialização, com esses salários? Aguardamos o que têm a dizer, em sua defesa, os governadores de estado, que são os principais responsáveis pela educação das crianças menos abastadas e que, portanto, frequentam escolas públicas estaduais.

Por que um jovem da Europa ou do Oriente Médio lê mais, muito mais que um jovem dos EUA ou do Brasil? Até mesmo se compararmos com países da América Latina, o Brasil ainda lê muito pouco: cerca de 1,8 livros por habitante por ano. A Colômbia, por exemplo, tem índice de 2,4 livros por habitante por ano, mesmo sendo um país bem mais pobre que o Brasil. Acontece que, na Europa, mesmo hoje, com a crise, Educação pública de qualidade é prioridade de muitos governos. E a América Latina se espelha muito na Europa, exceto o Brasil, que se espelha nos EUA.

Para se ter uma ideia de como anda o índice cultural nos EUA, basta lembrar que, anos atrás, a rede de lanchonete MacDonalds colocava, no papel que forra a bandeja, pequenos textos abordando curiosidades, histórias engraçadas, etc. Quando a empresa resolveu não colocar mais esses textos, alguns pediram que eles fossem mantidos, argumentando o seguinte: esses pequenos textos representavam nada menos do que 10% de TUDO o que um cidadão médio dos EUA lia por ano!!!

Estamos melhorando: em 2004, o número de brasileiros sem acesso à leitura era de 14 milhões. Sem acesso porque viviam em lugares absolutamente pobres e sem recursos. Hoje esse número caiu para 7 milhões.

O Plano Nacional do Livro e Leitura, programa do governo federal em parceria com o setor privado, pretende elevar em 50% o índice anual de leitura, através da distribuição de livros a preço popular - R$ 10,00 por exemplar - e ampliação da oferta de bibliotecas públicas.

O tablet é apenas um veículo para o eBook, assim como o papel é para o livro. Se não estimularmos as crianças à leitura, elas continuarão lendo poucos livros em papel ou em formato digital.

O tablet serve para quê? Bem, se estimularmos cada vez mais a leitura, o tablet será uma ótima ajuda, pois os eBooks têm o preço bem acessível. E como já temos, no Brasil, tablets a partir de R$ 150,00, é uma ótima oportunidade de ampliar o índice de leitura de nosso país.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O formato digital e as revistas

Créditos da imagem: Ambro / FreeDigitalPhotos.net
Ao me ver na sala de espera de um consultório dentário, em ato reflexo, peguei uma revista da cestinha. Era uma dessas revistas de bordo, oferecidas em viagens aéreas. Logo me interessei por uma matéria sobre Linda McCartney, a precocemente desaparecida esposa do ex-Beatle Paul. Era sobre uma narrativa fotográfica que ela fizera da vida do casal.

A primeira página da reportagem pareceu interessante. Estava numa página ímpar, ou seja, à direita. Então virei a página para continuar a ler. Não havia mais nada! A "reportagem" era só aquela página: três fotos e dois parágrafos! Que decepção...

As revistas brasileiras, em sua maioria, seguem o modelo das revistas estadunidenses: muitas imagens, pouco texto. Pouquíssimas páginas. Os assuntos são tratados com a profundidade de uma poça d'água.

As revistas europeias são muito, muito diferentes. Se o artigo é, digamos, sobre cultivo de abóboras, os jornalistas vão entrevistar, no mínimo, cinco agricultores. Talvez também queiram ouvir o fabricante de insumos. Não satisfeitos, ouvirão os consumidores, os especialistas em gastronomia, algum nutricionista. Ou seja, eles querem realmente que o leitor adquira algum conhecimento.

Certa vez um amigo meu, músico, foi para a Espanha, para tentar a vida lá (isso foi na década passada, quando muita gente saía do Brasil para tentar a vida na Europa). Ele é um violonista clássico, toca peças difíceis, algumas compostas por ele mesmo. Apresentou-se numa sala de espetáculos de lá. Para sua surpresa, conseguiu uma página inteira no jornal da cidade. O artigo descrevia, pormenorizadamente, cada um dos números que ele apresentou. Enquanto isso, nos EUA, uma apresentação de Caetano Veloso merece um retângulo de 4x3 cm com três linhas e meia. O mesmo acontece por aqui, exceto quando se trata de eventos como o Rock in Rio...

A desculpa de muitos editores é a de que "é o que o público quer" ou "este é o nosso estilo" ou, ainda, "nosso espaço é limitado".

Só que o público está ficando mais exigente. A internet é usada, cada vez mais, para aprofundar todos os assuntos e notícias. Se as revistas não mudarem de atitude, serão dispensadas pelos consumidores. Para quê vou comprar uma revista que tem uma "reportagem" de três parágrafos se posso saber muito mais sobre o assunto na internet, em geral sem pagar nada a mais por isso do que minha conexão?

O formato eBook pode, muito bem ser usado para uma revista. Ou para um gibi. Ou para um livro. Desconfio que, com o tempo, a diferença entre essas três categorias se tornará tênue. Muitos jornalistas, alheios a isso, seguem como se nada houvesse ocorrido nos últimos 20 anos.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O eBook e a insegurança das editoras

Créditos da imagem: FreeDigitalPhotos.net

Uma das questões sobre o eBook é a pirataria.

Como garantir que um livro digital não será distribuído sem autorização? Isso já acontece com músicas e filmes. Os arquivos de eBooks são bem menores do que os de músicas, o que facilita seu trânsito, inclusive remetendo-o por email. Aliás, muitos autores de livros digitais entregam sua obra aos compradores por um simples email.

Uma das soluções, para as pequenas editoras, é o pacote da empresa Adobe (Adobe Content Server) que coloca uma criptografia no arquivo do eBook. Dessa forma, o eBook só poderá ser aberto no computador em que foi baixado. Aliás, em seis computadores. Digamos que um leitor compre um eBook protegido por esse sistema. Ele poderá baixar o arquivo em seu computador de mesa, em seu notebook e em seu tablet. E ainda lhe restarão três "créditos", ou seja, ele poderá baixar o livro ainda mais três vezes.

Esse sistema ainda permite até mesmo que o leitor empreste o livro a amigos. Ele fica disponível no computador dessa pessoa por um período.

O gasto com esse sistema é de cerca de R$ 10.000,00 inicialmente. Mas depois será preciso manutenção técnica, talvez até contratando um profissional especializado, o que demanda um custo mensal considerável, que inclui hospedagem de conteúdo.

Para uma editora não tão pequena assim, pode ser o caso de utilizar essa opção. Para as editoras realmente pequenas, o custo é excessivo. Para elas, uma opção é, talvez, a formação de cooperativas para poderem dividir esses custos.

Há também a alternativa de venda direta do eBook, sem proteção alguma, exceto a consciência dos leitores. Só há um problema: se essa alternativa for adotada por uma pequena editora, é um grande risco. Se os leitores decidirem que têm o direito de repassar a obra a terceiros, as pequenas editoras não têm musculatura suficiente para resistir. Elas precisam vender.

A vantagem do eBook é que ele exige bem menos custos do que o livro físico. Mas isso só é, realmente uma vantagem, se o eBook tiver saída. Se for pirateado, todo esforço da pequena editora vai por água abaixo.

As pequenas editoras que tomarem esse caminho precisarão estabelecer, com seus leitores, uma relação forte. Por exemplo, fazendo promoções: "a cada 5 eBooks comprados em nossa loja virtual, você ganha um a escolher".

Será preciso, também, uma campanha alertando os leitores que, caso a editora não venda, ela não produzirá mais. Isso funcionará bem, por exemplo, em livros escritos em série, como a famosa série Harry Potter. Espera-se que os leitores, movidos pelo desejo de saber como continua a trama, evitem piratear. Ou correm o risco de jamais saber como a estória termina..

A colocação de marca d'água individual nos livros também é uma opção para as pequenas. O leitor Fulano de Tal recebe um livro que tem seu nome em todas as páginas.

Mesmo com a proteção do DRM, é possível, sim, piratear. Mas é um pouco mais difícil, exige conhecimento técnico. Se o preço do eBook for baixo, desestimulará os leitores menos honestos a perderem tempo quebrando senhas. Portanto, insistimos, é preciso ser razoável ao determinar o preço de um eBook. Não vamos fazer como aquela empresa de tablets que, ao descobrir que a Amazon lançara um Kindle em cores por U$ 199,00, imediatamente cortou U$ 200,00 do preço de seu tablet, fazendo-o cair de U$ 499,00 para U$ 299,00. Ou seja, o preço anterior era claramente abusivo.

Uma outra opção para as editoras é associar-se às gigantes. Uma delas é a Amazon, que pode desembarcar no Brasil brevemente. Sobre isso falaremos em breve.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Criatividade no eBook

Ao assistir, pela TV ao cabo, ao Comic Con, um encontro de quadrinhos e cinema dos EUA, constata-se que o país vive um momento de baixa criatividade.

O encontro ocorreu no início deste ano. Havia muitos personagens coloridos, ETs, pessoas fantasiadas de personagens japoneses (anime), super-herois estadunidenses típicos (sempre brancos, e sempre com uniforma azul, vermelho e branco, as cores da bandeira dos EUA).

Segundo os apresentadores, a maior sensação do evento foi uma avant-première do filme "Cowboys e Aliens", mais um produto descartável da indústria cinematográfica de Hollywood.

Este blog-site é plenamente favorável a filmes e livros que sejam só diversão. Não se deve exigir que produtos culturais tenham uma "mensagem" para serem considerados de boa qualidade. Mas, por outro lado, filmes e livros que não acrescentem nada, que sejam só caça-níqueis, nos dão a impressão de que já vimos aquelas cenas antes, ou já lemos aquelas linhas antes, centenas de vezes. Dá-nos até preguiça de ler / assistir.

A sociedade estadunidense não está em uma boa fase econômica, e isso se reflete negativamente na Arte, na Literatura e no Cinema. Períodos de crise como o que a Europa e os EUA estão a viver podem ter dois efeitos: ou exacerbar a criatividade ou reduzi-la. No caso da indústria cultural, parece que o efeito foi de rebaixar o nível de inspiração criativa.

Paradoxalmente, o tablet é uma invenção surgida lá. Mas é bem possível que a América Latina, o Oriente Médio e os BRICs tenham, neste momento, mais potencial criativo para usar essa ferramente maravilhosa para difundir cultura. E, dentro desse universo promissor, as pequenas editoras são aos que mais têm agilidade para "adotar" novos escritores, pois têm uma relação mais próxima com os autores do que as grandes empresas.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Preços de tablets, preço de eBooks

Créditos da imagem: tungphoto / FreeDigitalPhotos.net
O tablet Flyer, fabricado pela HTC, está chegando ao mercado americano. Mas ocorreu uma importante mudança: ele teve seu preço reduzido em US$ 200, após o lançamento do Kindle Fire, tablet da Amazon, cujo  preço de US$ 199.

O Flyer passou de U$ 499,00 para U$ 299,00. Um preço realmente mais camarada.

Não é o primeiro caso de repentina queda de preços. Também o tablet Playbook, da BlackBerry, teve seu preço cortado em U$ 200,00 depois do lançamento do Kindle Fire.

Isso leva à inevitável pergunta: qual a margem de lucro dessas empresas? Queremos ver essas planilhas de custos.

Vêm-nos a mente a impactante matéria do jornalista Joel Silveira Leite, do UOL, mostrando que, no caso dos automóveis brasileiros, o que chamávamos de Custo Brasil é, na verdade, Lucro Brasil. Os impostos formam uma parte menor do preço. A grande responsável pelo preço do carro em nosso país é a ganância das montadoras. Um executivo da indústria automobilística, questionado pelo jornalista, não teve pudores de dizer que, se o consumidor paga, não há motivo para reduzir preços.

Pois então, que venha o Tata, indiano e o JAC chinês. Essas duas empresas pretendem instalar fábricas no Brasil, mesmo com a exigência do Governo de que 65% dos componentes sejam fabricadas aqui, para gerar empregos no Brasil. Aliás, na China exige-se 95% de fabricação nacional, e na Índia 90%. Portanto, 65% é pouco.

E, por falar em Índia, o país já iniciou a produção do tablet Aakash, o tablet de U$ 35,00, destinado a estudantes. Chamado de "o tablet mais barato do mundo", o Aakash tem seu preço subsidiado pelo governo indiano.A empresa que o desenvolveu, a britânica DataWind, diz que o preço ficará ainda mais baixo com o aumento da produção. Um projeto piloto distribuirá gratuitamente as primeiras 100 mil unidades. Que tal um tablet assim sendo vendido no mundo todo, para forçar a baixa de preços?

O fato é que dois modelos tiveram seus preços derrubados em U$ 200,00 por pressão da concorrência do Kindle Fire. Então, quando não há oligopólios (combinação de preços entre concorrentes) o consumidor sai ganhando.

Quanto ao preço dos eBooks, o que ainda ocorre é que as editoras, grandes e pequenas, estão cobrando pelo livro digital um preço absurdo, igual ou até maior do que o livro em papel, sendo que o custo de produção de um livro digital é uma pequena fração do livro em papel.

Os consumidores, mesmo sem ter acesso às planilhas de custos, sabem muito bem que não se pode cobrar R$ 28,00 por um eBook quando a versão em papel custa R$ 31,00.

Quando é que as editoras perceberão que eBook não é livro, é outro universo?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A linha de montagem de um eBook

O eBook é um mundo novo. Aliás, o século 21 é um mundo novo, no qual a internet ganhou muita força, com os aparelhos portáteis que acessam a rede, tais como smartphones, netbooks e, claro, os tablets.

Se para o leitor, o eBook é uma agradável descoberta, para algumas editoras, é ainda um mistério a ser decifrado. Para outras, é uma mina de ouro.

As grandes e pequenas editoras estão, aos poucos, saindo do velho paradigma do livro em papel. Não que ele vá terminar de uma hora para outra. Mas é que agora o livro em papel não é mais a única possibilidade para um autor. Em breve deixará de ser uma alternativa vantajosa para os jovens autores, embora talvez continue sendo para os nomes consagrados.

O eBook permite uma drástica redução de custos, mesmo quando é produzido de maneira profissional. E, antes de abordar o tema deste post, a linha de montagem de um eBook, vejamos como seria a maneira não-profissional de produzir eBooks.

Uma dessas formas amadoras é quando o autor, ao invés de procurar ajuda de um profissional da área, resolve lançar um eBook por conta própria. Em geral ele dispensa a revisão ortográfica e gramatical. Escreve o texto no Word e o transforma em pdf no programa chamado PDF Creator, que é uma impressora virtual que, ao invés de imprimir em papel, faz uma cópia exata do arquivo em pdf.

Os problemas desse caminho são vários. Por exemplo, nesse programa não é possível criar links internos, ou seja, locais em que o leitor possa clicar para ir ao capítulo que deseja ler. A falta de revisão é um sério problema, pois todos nós cometemos erros de digitação, de concordância. A revisão é fundamental. Além disso, é preciso uma diagramação profissional, que torne a leitura agradável. Sem revisão, sem links, sem diagramação, o livro perde muito.

O caminho profissional deve contar com os seguintes passos:

1) o primeiro, obviamente, é a criação do livro. No nosso post anterior, damos algumas sugestões de como liberar sua criatividade num eBook. A criação de um bom livro pode durar até 5 anos ou mais. Ao longo de nossas lides profissionais na Editora Sucesso, vimos livros que demoraram 10 anos para serem lançados. Mas, se você tem o cérebro extremamente ágil, poderá escrever um livro em um ano.

2) em seguida, o trabalho precisa passar pela revisão ortográfica e gramatical. Dispensar essa etapa é um erro fatal, pois certamente o livro será lançado com erros. Em média, se o escritor tem um português impecável, encontra-se apenas 5 erros por página. Se o autor não é tão bom assim, esse número cresce.

3) depois vem a diagramação. Há muitas diferenças entre a diagramação para livro em papel e a diagramação para eBook. Em ambos os casos, a meta é tornar a leitura fluida e agradável. No caso do eBook, é possível colocar imagens coloridas, já que não há o custo da tinta e do papel. Na verdade, a diagramação do eBook é mais trabalhosa, pois envolve a colocação de links e a divisão de capítulos em sub-arquivos, entre outros procedimentos.

4) a fase seguinte é a comercialização. Sobre ela falaremos mais adiante neste espaço.

Detalhes importantes:

a) por uma questão legal, não se pode usar no eBook nenhuma fonte sobre a qual o autor ou a editora não tenham os direitos para uso comercial. As fontes que baixamos da internet nem sempre nos dão essa autorização para uso irrestrito. Então, na dúvida, é melhor usar as fontes tradicionais que já vêm com o sistema operacional.

b) o mesmo vale para figuras. Seja no livro em papel, seja no eBook, não se pode usar figuras que baixamos da internet. É preciso ter uma autorização por escrito do autor ou detentor dos direitos sobre as figuras, sejam elas fotos ou ilustrações.

c) é possível, claro, citar trechos de outros livros, desde que os autores desses outros trabalhos ou as editoras que os publicaram tenham autorizado essa citação. Isso pode ser verificado no próprio livro que se quer citar.

No livro em papel, sabe-se de casos de livros que burlaram uma ou mais das restrições acima, principalmente a restrição sobre fontes. Mas no livro digital o uso da fonte fica registrado no próprio arquivo do eBook. Por isso, é muito mais fácil de detectar o uso não autorizado.

Finalizando, gostaríamos de dizer que o eBook estimula bastante os autores a escrever, pois a redução dos custos torna muito mais viável o retorno financeiro para o autor e para a editora.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Para o eBook, o céu é o limite


O formato eBook é libertador. Ele permite que o conteúdo inclua texto, imagem, sons, vídeos. Imaginemos as possibilidades: o eBook pode ser a arte de todas as artes, unindo, numa mesma obra, o cinema, a pintura/gravura, o livro.

Vamos agora para o campo dos negócios: o eBook é a oportunidade de ouro para as pequenas editoras. Sendo um arquivo digital, o eBook não tem o custo pesado do trabalho gráfico, nem de armazenamento. Também não tem custo de despacho via correios. A entrega é imediata, via internet.

Sendo a entrega imediata, as compras por impulso tendem a aumentar, ainda mais sabendo-se que o preço de uma obra digital é uma fração do preço da mesma obra em papel.

É claro que isso tem um outro lado, não tão agradável: cadeias produtivas estão sendo rompidas. As gráficas, que sempre prestaram um excelente serviço às editoras, grandes ou pequenas, terão seu lucro bastante reduzido. Softwares que foram muito utilizados pelas editoras, como o InDesign, podem estar com seus dias contados, já que a criação do eBook, no formato epub, precisa de outras especificações de softwares.

Mas, retornando ao lado positivo dessa transformação, vamos agora voar mais alto: o eBook ficional permitirá que a mesma estória seja contada por vários personagens, cada um dando sua versão narrativa própria, deixando para o leitor tirar suas próprias conclusões. Isso rompe com a visão que nós temos do livro formal e do narrador onisciente, que é o próprio autor.

É verdade que há livros narrados por um personagem. Mas a mesma estória em várias versões, do ponto de vista de vários personagens, são muito raras no livro em papel, pois não são práticas. No eBook, ao contrário, com um simples clique o leitor decide qual versão da estória ele lerá. Podendo, depois, ler as outras versões. Não é fantástico? Detalhe: isso praticamente não altera os custos, já que não há papel e tinta envolvidos no processo.

Que as pequenas editoras pensem nisso. Agora é o momento da democratização do livro.

domingo, 25 de setembro de 2011

Truques e dicas - Android

 O sistema operacional Android


Segundo a Wikipédia:

Android é um sistema operacional móvel que roda sobre o núcleo Linux, embora por enquanto seja ainda desenvolvido numa estrutura externa ao núcleo Linux. Foi inicialmente desenvolvido pelo Google e posteriormente pela Open Handset Alliance, mas o Google é o responsável pela gerência do produto e engenharia de processos. O Android permite aos desenvolvedores escreverem software na linguagem de programação Java controlando o dispositivo via bibliotecas desenvolvidas pelo Google. Existem atualmente mais de 250 mil aplicações disponíveis para Android.

O sucesso do Android é inegável: milhões e milhões de smartphones e tablets são vendidos no mundo com esse sistema operacional. Estamos assistindo ao lento ocaso do Windows, que ficará restrito aos computadores de mesa que, no futuro, serão mais usados para trabalhar, enquanto os tablets e smartphones serão os instrumentos de comunicação social.

O Android, sendo gerido pelo conselho de empresas citado antes (Open Handset Aliance), é um sistema aberto, assemelhando-se em parte ao formato epub, que é o formato universal para eBooks. Também o Android tende a ser o formato universal para tablets, excetuando-se o Kindle, da Amazon, e o iPad, da Apple, que usam formatos proprietários, privativos de suas respectivas empresas.

Os sistemas proprietários têm seus limites, principalmente quando software e hardware formam uma dupla inseparável. Como, por exemplo, os computadores da Apple e o seu sistema operacional. Já os sistemas abertos acabam sendo mais democráticos, pois permitem que um eBook seja lido em vários modelos de gadgets.

O que ocorreu, na década de 90, com o Windows, que conquistou mais de 90% do mercado de sistemas operacionais, não se repetirá tão cedo. A tendência atual é de formatos abertos. Assim, o eBook em formato epub tende a se tornar o padrão mundial, assim como o sistema Android tende a se tornar o sistema operacional universal para tablets e smartphones.