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quinta-feira, 1 de março de 2012

O poder de processamento dos tablets

Raspberry PI, o computador mais barato do mundo - página dessa imagem aqui

É certo que há coisas que só um computador de mesa pode fazer. Este blogueiro trabalha com programas de ambientação digital (CG) para criar imagens para livros. Mesmo num computador de mesa, algumas imagens demoram 70 ou 80 horas para serem renderizadas (1). Num notebook, mais ainda. Num netbook, quase impossível. Num tablet, totalmente impossível. Até porque esses programas só rodam em Windows, OS ou Linux. Não rodam em Android ou qualquer outro sistema operacional de tablets.

Os tablets foram feitos para atividades que exigem menos da máquina, como jogos, navegação na internet, receber e remeter e-mails, falar com outra pessoa pelo Skype, Gtalk ou msn, etc.

Então o computador de mesa (desktop) é hoje um computador de trabalho, embora os saudosistas como eu o usem para tudo. Enquanto que os tablets e eReaders são aparelhos mais ligados à diversão e descontração, e também aos estudos, já que eles podem armazenar uma enorme quantidade de livros.

Mas e o futuro? É inevitável que as máquinas fiquem cada vez menores e, ao mesmo tempo, mais potentes. Veja-se, por exemplo, o Raspberry PI, computador construído pela Fundação Raspberry PI - com apoio do Laboratório de Computação da Universidade de Cambridge. A versão mais simples custa U$ 25,00, e sua capacidade de processamento ultrapassa a maioria dos tablets.

Com a entrada da nanotecnologia na área de circuitos impressos, poderemos ter um computador potentíssimo que caberá no espaço de um botão de camisa.

Bom, agora, voltando ao presente, não se iluda achando que poderá abrir, num tablet, aquela planilha de 20 mb que você elaborou no notebook. Ainda não é possível. Também não se pode abir, no tablet, um programa como o Blender 3d ou o Vue 10 Complete (são os softwares que uso para criar imagens). Por outro lado, se você é da área administrativa, o tablet pode auxiliá-lo a guardar dados de clientes e funcionários, acessar e-mail - como dissemos antes - e elaborar textos. Pronto, lá se foi a separação de funções por água abaixo. O tablet, além da diversão e dos estudos, já começa a ser usado nos escritórios como ferramente de trabalho em certas áreas que, como mencionamos, não exigem grande capacidade de processamento ou memória.

(1) renderizar é gerar a imagem final de um programa de ambientação 3D.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tablets e android ganham força



Duas notícias interessantes para avaliarmos:

1) O portal imprensa informa que os tablets representam 40% do tráfego de internet que não vem de PC. Essa é uma notícia boa para os fabricantes de tablets, mas não tão boa para os fabricantes de smartphones. Embora existam muito mais proprietários de telefones móveis com acesso à internet, esse acesso é tão precário, ainda hoje, que os tablets estão tomando o lugar que poderia ficar com os smartphones, o lugar de plataforma portátil preferencial para web. Ponto para tablets e eReaders.

O sistema operacional que liderou a pesquisa foi o IOS, da Apple, com 60,6%. O Android ficou em segundo, com 19,6%.

2) A outra notícia é boa para os fabricantes de tablets e outros aparelhos com sistema Android. O cenário dos tablets virou a favor do Android no campo de batalha dos smartphones. São mais de 700 mil smartphones com sistema Android vendidos por dia no mundo. O Android está avançando muito mais que os outros sistemas operacionais, tanto em tablets como nos smartphones, como este blog já imaginava. Essa estatística coloca o Android em quase metade dos smartphones (46,3%), seguido da Apple com 28,1% e a RIM, em queda, com apenas 17,2%.

O Windows se mantém firme como sistema operacional mais utilizado nos PCs E, como já dissemos aqui, o PC não vai morrer, contrariando a torcida. Há coisas que só um PC de mesa faz. Não é possível substituir um caminhão de carga de 12 toneladas por um Fiat Doblô. Mas o Fiat faz coisas que o caminhão não faz, como entrar numa rua estreita.

No entanto, o Android, que é uma versão do Linux, tem uma força irresistível e será, em breve, o sistema principal dos tablets e smartphones.

A diferença é que o Windows é uma marca proprietária, feita por uma única empresa. Enquanto que o Android é um sistema colaborativo, embora administrado pelo Google.


domingo, 18 de dezembro de 2011

Tablets e eReaders


Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Essa expressão bem brasileira deve ser usada quando falamos de eReaders e tablets. Até aqui, este site tem chamado os dois dispositivos de tablets, indistintamente. A partir de agora, vamos mudar isso, separando as denominações, para melhor esclarecimento do leitor.

O que é um tablet?
É um computador portátil, com pequena memória e pequena capacidade de processamento. Em compensação, é extremamente portátil (existe essa expressão?), ainda mais do que um notebook ou um netbook É leve, pequeno o suficiente para caber no bolso do paletó, mas grande o suficiente para permitir uma boa visualização de e-mails, sites e jogos. Tem tela de LED, ou seja, é uma tela de computador em miniatura.

O tablet é usado para jogar, acessar a internet, escrever textos, ver vídeos, etc. Não tem capacidade, no entanto, para uma planilha eletrônica mais pesada, ou para um editor de vídeos, só para citar dois exemplos do que ele NÃO pode fazer. Portanto, o tablet NÃO substitui um notebook, muito menos um PC.

O que é um eReader?

eReader é um tipo especial de tablet. Para falarmos dele, é significativo dizer o que ele NÃO faz:

- eReader não permite assistir vídeos
- eReader não roda jogos
- eReader não tem tem luz na tela
- eReader não mostra cores. A tela é em preto e branco

Falando assim, a garotada que é conectadíssima ao mundo digital logo reclama: "então, não dá pra fazer nada com esse tal de eReader". Na verdade, os eReaders foram feitos para honrar o nome que têm: leitores digitais. Eles foram feitos para ler livros. Sua tela sem luz é agradável como papel. Por não terem luz são mais leves.

Então essa é a diferença entre um tablet e um eReader. Como mostra a imagem acima, até a maneira de segurar acaba sendo diferente. Note-se como o eReader está sendo segurado como se fosse um livro. Repetimos: é possível, sim, ler livros no tablet, mas é mais agradável ler num eReader.

O eReader mais famoso é o Kindle, da poderosa Amazon. Como todos os seus concorrentes, a tela é de e-ink (tinta digital), ou seja, não mostra cores e não tem luz. O problema é quando se trata de um livro com imagens coloridas. Ou contendo vídeos e gráficos interativos, como o eBook do Al Gore, que mostramos aqui. E a tendência é, justamente, a de eBooks que contenham esses elementos que não podem ser aproveitados num eReader...

Mas, no momento, 95% dos eBooks têm apenas textos e uma ou outra imagem. Então, ainda há uma longa vida pela frente para os simpáticos e despojados eReaders.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Autossuficiência

site da imagem aqui
Ministros de Comunicação da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) se reuniram para planejar a construção de uma banda larga para a região. A proposta da reunião foi do Brasil, apresentada durante o Fórum de Investimentos Brasil-Colômbia, ocorrido em agosto deste ano, em Bogotá.

Esse é um assunto importante para o Continente. Até hoje, grande parte das conexões que utilizamos passam pelos EUA. É uma situação insustentável, até mesmo do ponto de vista da defesa do país. As Forças Armadas, provavelmente por considerar que essa dependência nos torna vulneráveis em caso de algum conflito (que, esperemos, nunca ocorra). Tanto assim que o satélite brasileiro que a Telebras, em conjunto com a Embraer, a ser lançado no início de 2014, tem como uma de suas funções prioritárias a comunicação militar. Além, claro, de ser utilizado no PNBL - Plano Nacional de Banda Larga.

O fortalecimento da internet na América do Sul resulta em fortalecimento de tudo o que se relaciona a ela, como é o caso dos eBooks. Os tablets têm pequena capacidade de armazenagem. Boa parte de suas funções é executada "em nuvem", isto é, recorrendo a arquivos e programas que estão guardados no ciberespaço. 

O ciberespaço não é nenhuma dimensão etérea, mas sim um conjunto de grandes computadores, chamados servidores. Boa parte desses servidores gigantescos está, hoje, nos EUA. É nessas supermáquinas que está boa parte da memória da internet. Isso não é mais aceitável. É fundamental que o Brasil, assim como a América do Sul, assumam no mundo virtual a posição que já têm no mundo político-econômico. Foi-se o tempo em que éramos apenas um quintal dos EUA. Hoje o Continente Sul-Americano é uma das regiões que mais cresce no mundo. No Brasil, por exemplo, quase dobrou o número de smartphones em um ano.

Então, é necessário que um passo importante seja dado em relação à internet, para que possamos universalizar o acesso à web, a mídia de todas as mídias.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Brasil acelera

Imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net

Segundo pesquisa do instituto GfK, a venda de smartphones cresceu bem acima da média mundial nos primeiros 6 meses de 2011. A média mundial já é alta: 69% em comparação com 2010. Pois o Brasil ultrapassou essa marca e bateu em 80%, ou seja, quase dobrou a venda desses aparelhos.

Não há muitas dúvidas de que o mesmo ocorrerá com relação aos tablets. O Brasil, o jovem brasileiro, está como que uma esponja pronta para absorver as novas tecnologias digitais. E aqui falamos do jovem de qualquer classe social.

Como já dissemos em outros artigos, há uma tendência de crescimento ainda maior dos tablets, já que o Governo Federal retirou vários impostos do produto ao classificá-lo como um computador (o que, de fato, ele é). Com isso, o preço se reduziu. E se reduzirá ainda mais com o estímulo à fabricação dos tablets em nosso país, inclusive o iPad. O detalhe impressionante é que o iPad será, PELA PRIMEIRA VEZ, fabricado num país ocidental. Então, esqueça aquele bordão usado no passado, "não compro nada feito na China, Tailândia ou Indonésia". O iPad é feito por lá. Agora será fabricado também no Brasil, por um acordo do Governo com a empresa FoxConn, de Taiwan.

Mas, voltando à aceleração brasileira, ela é o resultado de uma conjunção de fatores, entre eles a crise na Europa e nos EUA. É natural que as empresas multinacionais queiram investir num país - e num Continente - que está navegando bem na tempestade. Toda empresa pensa em investir num mercado promissor "antes que meu concorrente faça isso". Então, passa a ser uma corrida pelos mercados. Ganha mais quem chegar primeiro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O livro em papel e o eBook

site dessa imagem
Ler eBooks, para mim, tornou-se mais confortável do que ler livros em papel. Essa descoberta fiz recentemente, quando encontrei meu querido livro Introdução à Relatividade Especial, de Robert Resnick, Editora Polígono. Um livro de uma didática ímpar, tornando simples aprender a teoria de Einstein que, afinal, é simples... depois de formulada, claro!

Um livro deve ser seguro com as duas mãos, e mantido como uma letra V não muito aberta, para não esgarçar as costuras. Sei bem que hoje as pessoas chegam a dobrar o livro ao contrário, com a capa e a contracapa se tocando, viradas para dentro, como se o livro fosse uma réles revista. Mas isso destrói o livro.

Meu Introdução à Relatividade Especial não está tão bem conservado, devido às inúmeras mudanças de residência deste 35 anos em que ele está comigo. Mas ainda está com a costura firme, e as páginas ainda com uma boa textura.

Pois bem, comecei a relê-lo. Mas cansei... Meus olhos estão excessivamente acostumados com as telas, e desacostumaram-se do papel. Depois de algumas tentativas de lê-lo, percebi que nem mesmo tenho uma mesa de escritório na qual pousá-lo, para não cansar as mãos. Só tenho a mesa do computador e a da cozinha. Logo pensei: "Se eu o encontrasse em formato digital, seria bom. Colocaria o livro em papel na estante, para poder olhar para ele, de vez em quando, e leria o eBook.

Meu Kindle é tão leve, e posso segurá-lo com apenas uma das mãos. Ler nele é mesmo muito confortável. Utilizo até mesmo a tela do computador para ler, mormente para ler notícias. Então, estava decidido: Einstein me revelaria seus segredos novamente, na releitura do livro. Só que desta vez seria em formato digital, comprado diretamente da editora.

Infelizmente, a Editora Polígono parece não existir mais. Pelo menos, não a encontrei no Oráculo (Google). Ela é mencionada apenas no excelente site de livros usados Estante Virtual. Assim, meu plano de comprar o eBook falhou. Então, quem sabe, farei um esforço para reler o livro em papel mesmo. Einstein vale a pena, e Robert Resnick foi muito feliz ao escrever essa obra.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

As crianças e a era digital

fotógrafo: Arvind Balaraman
Este site tem contato com professores, tanto de escolas privadas como da rede pública. Uma professora de escola pública estadual nos contou o seguinte: ela ajudou os alunos de uma de suas classes a escrever as famosas cartas a Papai Noel, pedindo um presente de Natal. O resultado não surpreendeu: praticamente todos os pequenos (de 8 e 9 anos) pediram tablets ao bom velhinho.

Não é à toa que o comércio varejista está a prever que este será o "Natal dos tablets". Com seu preço bem menor do que o de um computador (1), os tablets permitem navegar na internet, receber emails, conversar ou jogar online com amigos, ouvir música, ler livros e, conforme o modelo, assistir vídeos.

O que está ocorrendo é que as crianças que já nasceram na era digital não têm medo de explorar esse mundo fascinante que a internet nos disponibiliza. Enquanto os adultos (principalmente os mais velhos) têm uma grande resistência em aprender mais sobre computadores, tablets e internet.

Os tablets que as crianças desejam não é o iPad ou o Galaxy, com preços estratosféricos e totalmente fora da realidade do país. O que elas querem é um tablet, ponto. Elas anseiam por estarem conectadas, estarem em contato com seus amigos que já têm tablets.

Essas crianças e jovens navegam na lan-house, no smartphone ou no computador de casa. A internet já faz parte da realidade deles, assim como a luz elétrica faz parte da realidade dos adultos. Assim como os mais velhos não concebem a possibilidade de ficarem sem serviço de eletricidade, os jovens não aceitam a possibilidade de ficar desconectado da internet.

Por isso, a "onda" dos tablets é avassaladora. No caminho, essa tsunami varrerá aquelas empresas que não se prepararem adequadamente para essa nova era em que a tecnologia digital dominará a tv, o rádio, a telefonia, o jornalismo e a publicação de livros.

domingo, 6 de novembro de 2011

Impressões de BH



Estou compondo este artigo do blog num espaço público de BH, usando meu netbook e a excelente conexão wireless que a prefeitura da cidade disponibiliza por toda uma área.

Comigo tenho vários equipamentos eletrônicos. Façamos um inventário: netbook, kindle, mp3 player. celular, pendrive e um relógio com mostrador digital.

Em minha estada na capital mineira encontrei um garoto de 8 anos que tem dois notebooks antigos que seus parentes passaram para ele ao comprarem equipamentos mais atuais. Tem também um tablet que ele usa para jogar e colecionar figurinhas virtuais.

Mônica, uma bela moça de origem libanesa, usa um poderoso PC em seu trabalho e outro, também potente, em casa. Prova viva de que o PC não morreu. Bem longe disso. Ela também usa notebook, smartphone, etc. Sua mãe adora jogos de computador, preferencialmente corrida de automóveis. Também assiste a vídeos do Youtube, e se diverte muito com eles. 

Nos shoppings, como o Diamond Mall, jovens, crianças e adultos usam seus celulares e smartphones para combinarem passeios. Nos farois, não se vê mais as crianças pobres fazendo malabarismo. Perguntei a um taxista onde elas estavam, já que eram comuns em todos os semáforos do centro. Ele me respondeu:
- Estão na escola, doutor. É o Bolsa-Família. Se elas não estiverem frequentando a escola e a fiscalização descobrir, a família perde o Bolsa-Família.
Aproveitei o início do papo já entabulado e comentei:
- O GPS facilitou a vida dos taxistas, não?
- E como, doutor. A cabeça do taxista não precisa mais guardar nome de rua e localização. Assim, fica mais livre para se concentrar no trânsito.

Os mineiros são muito acolhedores. São muito inteligentes e percebem o que há por trás dos fatos e das pessoas, mesmo quando fazem um ar de desentendidos.

Belo Horizonte conectada não perdeu seu ar de Belo Horizonte. Apenas o atualizou. O sotaque é o mesmo, agradável. Completamente diferente do sotaque do interior de Minas. As ruas continuam bonitas e arborizadas, pelo menos no centro e Savassi. Mas as pessoas têm mais informação. Seja o garoto de 8 anos que tem um tablet e dois notebooks, seja o taxista, seja a moça de origem libanesa e sua família. Claro, isso não quer dizer que as pessoas efetvamentee se informarão mais. Mas pelo menos têm uma porta aberta para isso.

domingo, 30 de outubro de 2011

Os tablets servem para quê?

Estímulo à leitura é fundamental


Este blog já publicou matéria questionando o uso que os jovens dão aos tablets. Esses computadores de mesa servem para receber emails, navegar na internet, ouvir música, brincar com jogos eletrônicos, conversar online com os amigos, receber notícias... e também para ler livros. Mas ler livros é, para muitos jovens, a última coisa que eles pensam em fazer no tablet.

Não podemos culpar os tablets pelo fato de que poucos os usam para ler livros. Nossa Educação, aqui no Brasil, é copiada do modelos dos EUA. E a Educação nos EUA faliu, como eles próprios reconhecem. Lá, como aqui, a Educação da população não é prioridade. Para percebermos isso basta olhar para as escolas públicas de primeiro e segundo grau: vidros quebrados, prédios velhos, lugares feios e sujos para nossas crianças. Professores recebendo menos de R$ 1.000,00 por mês por 40 horas semanais. Como esperar que esses professores comprem livros ou façam cursos de especialização, com esses salários? Aguardamos o que têm a dizer, em sua defesa, os governadores de estado, que são os principais responsáveis pela educação das crianças menos abastadas e que, portanto, frequentam escolas públicas estaduais.

Por que um jovem da Europa ou do Oriente Médio lê mais, muito mais que um jovem dos EUA ou do Brasil? Até mesmo se compararmos com países da América Latina, o Brasil ainda lê muito pouco: cerca de 1,8 livros por habitante por ano. A Colômbia, por exemplo, tem índice de 2,4 livros por habitante por ano, mesmo sendo um país bem mais pobre que o Brasil. Acontece que, na Europa, mesmo hoje, com a crise, Educação pública de qualidade é prioridade de muitos governos. E a América Latina se espelha muito na Europa, exceto o Brasil, que se espelha nos EUA.

Para se ter uma ideia de como anda o índice cultural nos EUA, basta lembrar que, anos atrás, a rede de lanchonete MacDonalds colocava, no papel que forra a bandeja, pequenos textos abordando curiosidades, histórias engraçadas, etc. Quando a empresa resolveu não colocar mais esses textos, alguns pediram que eles fossem mantidos, argumentando o seguinte: esses pequenos textos representavam nada menos do que 10% de TUDO o que um cidadão médio dos EUA lia por ano!!!

Estamos melhorando: em 2004, o número de brasileiros sem acesso à leitura era de 14 milhões. Sem acesso porque viviam em lugares absolutamente pobres e sem recursos. Hoje esse número caiu para 7 milhões.

O Plano Nacional do Livro e Leitura, programa do governo federal em parceria com o setor privado, pretende elevar em 50% o índice anual de leitura, através da distribuição de livros a preço popular - R$ 10,00 por exemplar - e ampliação da oferta de bibliotecas públicas.

O tablet é apenas um veículo para o eBook, assim como o papel é para o livro. Se não estimularmos as crianças à leitura, elas continuarão lendo poucos livros em papel ou em formato digital.

O tablet serve para quê? Bem, se estimularmos cada vez mais a leitura, o tablet será uma ótima ajuda, pois os eBooks têm o preço bem acessível. E como já temos, no Brasil, tablets a partir de R$ 150,00, é uma ótima oportunidade de ampliar o índice de leitura de nosso país.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O tablet e a mochila das crianças


Imaginemos um futuro próximo, com os tablets sendo amplamente usados no ensino público e privado. A primeira coisa que nos vem à mente é que as crianças e jovens andarão com menos peso às costas. Já é um avanço e tanto. As colunas vertebrais das crianças agradecem.

Mas a coisa vai além; tiraremos também um peso das costas dos pais: o preço dos livros em papel. E isso pode fazer uma grande diferença no orçamento das famílias de classe C, a classe hoje majoritária no Brasil.
 
A Índia acaba de lançar um tablet popular, o Aakash, que custará U$ 35,00, sendo que os primeiros 100 mil serão distribuídos gratuitamente. Por que não fazermos o mesmo no Brasil? Seria mais econômico do que distribuir livros, mesmo sabendo que os livros são usados por alguns anos seguidos antes de serem descartados.

O Ministério da Educação é, de longe, o maior comprador de livros do país. São milhões e milhões de livros. Que tal se esse dinheiro pudesse ser gasto em construção de escolas? É verdade que o MEC já construiu 219 escolas técnicas federais nos últimos anos. Mas isso ainda é muito pouco.

Com a extração e refino do Pré-Sal, mais as indústrias automobilísticas que já estão de malas prontas para desembarcar aqui, mais as 26 fabricantes de tablets, mais as ferrovias em construção (ferrovia Norte-Sul, TransNordestina, FerroOeste), precisaremos de muitos profissionais especializados. Analistas preveem que, apenas de engenheiros, precisaremos de 150 mil deles até 2014.

Ou seja, foi-se o tempo em que engenheiro, no Brasil, se formava e prestava concurso para ser caixa de banco.


Mas, voltando à mochila das crianças, é preciso colocar tablets nela. Não só nas escolas particulares, até porque muitas delas já os utilizam. É preciso levar isso à grande massa de estudantes das escolas públicas de primeiro e segundo grau.

O primeiro empecilho para a universalização dos tablets é o despreparo dos profissionais de ensino. No caso do ensino público, eles nem mesmo ganham o suficiente para comprar bons computadores. O piso nacional para professores decidido pelo Governo Federal é de R$ 1.080,00 por 40 horas semanais. Pois não é que muitos governadores entraram na Justiça contra esse piso, dizendo que era muito alto e que não havia dinheiro em caixa para pagar esse valor?! Pois bem, a Justiça deu ganho de causa aos professores. A decisão foi de que eles tinham que receber esse piso. Mesmo assim, os governadores resistiram. Resultado: greves de professores em vários estados.

Por aí se vê que ainda está longe o dia em que os professores ensinarão seus aluninhos a usar um tablet. Os profissionais de ensino não têm, ainda, condições financeiras para conhecer o suficiente de informática e computadores para saber o que é um tablet, muito menos para desejá-lo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Fórum - o PC morreu?



O PC morreu! Vida longa aos tablets. Essa foi a manchete de uma grande revista nacional em uma edição de novembro de 2010. 

Já vimos essa estória antes. Quando do surgimento do cinema, diziam que seria o fim do teatro. Quando do surgimento da TV, que isso resultaria na extinção do cinema. Da mesma forma quando a recém-nascida televisão supostamente eliminaria o rádio. Etc, etc, etc. 

Ironicamente, esses profetas da falecimento de tecnologias não previram diversos casos de morte. Não houve manchetes dizendo: a máquina de escrever morreu! Vida longa ao PC. Ou então: a máquina fotográfica com filme morreu! Vida longa à fotografia digital. 

A revista que publicou a manchete mecnionada até dava o exemplo de uma empresa na qual os representantes comerciais haviam recebido, no lugar dos antigos PCs, iPads. 

Naturalmente, a manchete é irreal. Os tablets conseguem fazer muita coisa. Mas são incapazes de realizar inúmeras tarefas também. Os sistemas operacionais dos PCs e notebooks têm como abrigar softwares que não há como rodar em tablets. 

Como os tablets e netbooks custam bem menos do que o PC, uma grande parte da população do Brasil e do mundo acabam tentando usar esses equipamentos no lugar dos PCs e notebooks. E, de fato, é possível conseguir uma razoável inclusão digital com isso. Ler e-mails, consultar notícia, escrever textos, ler livros, revistas e jornais. Ouvir música. Assistir filmes. Tudo isso é possível com tablets e netbooks. 

Mas há coisas que eles não fazem. Uma planilha de cálculos mais pesada (digamos, 50 mb), muito comuns no mundo corporativo, exigem sistema operacional Linux, Wndows ou OS. Programas de computação gráfica, como os usados em filmes, exigem não só um PC, mas vários deles ligados em série para reduzir o tempo de processamento. 

Aliás, processamento de programas da área de computação gráfica exigem um PC com memória temporária de 16 gb ou mais. Isso ainda está muito além do que um tablet pode fazer. 

Então, temos que ter um certo cuidado de não aceitar, passivamente, manchetes que parecem encomendadas pelas empresas que produzem os tablets. Não jogue fora seu PC ainda. Aumente a memória RAM, compre um HD externo para ele. Seu PC ainda tem muitos anos de vida útil. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Preços de tablets, preço de eBooks

Créditos da imagem: tungphoto / FreeDigitalPhotos.net
O tablet Flyer, fabricado pela HTC, está chegando ao mercado americano. Mas ocorreu uma importante mudança: ele teve seu preço reduzido em US$ 200, após o lançamento do Kindle Fire, tablet da Amazon, cujo  preço de US$ 199.

O Flyer passou de U$ 499,00 para U$ 299,00. Um preço realmente mais camarada.

Não é o primeiro caso de repentina queda de preços. Também o tablet Playbook, da BlackBerry, teve seu preço cortado em U$ 200,00 depois do lançamento do Kindle Fire.

Isso leva à inevitável pergunta: qual a margem de lucro dessas empresas? Queremos ver essas planilhas de custos.

Vêm-nos a mente a impactante matéria do jornalista Joel Silveira Leite, do UOL, mostrando que, no caso dos automóveis brasileiros, o que chamávamos de Custo Brasil é, na verdade, Lucro Brasil. Os impostos formam uma parte menor do preço. A grande responsável pelo preço do carro em nosso país é a ganância das montadoras. Um executivo da indústria automobilística, questionado pelo jornalista, não teve pudores de dizer que, se o consumidor paga, não há motivo para reduzir preços.

Pois então, que venha o Tata, indiano e o JAC chinês. Essas duas empresas pretendem instalar fábricas no Brasil, mesmo com a exigência do Governo de que 65% dos componentes sejam fabricadas aqui, para gerar empregos no Brasil. Aliás, na China exige-se 95% de fabricação nacional, e na Índia 90%. Portanto, 65% é pouco.

E, por falar em Índia, o país já iniciou a produção do tablet Aakash, o tablet de U$ 35,00, destinado a estudantes. Chamado de "o tablet mais barato do mundo", o Aakash tem seu preço subsidiado pelo governo indiano.A empresa que o desenvolveu, a britânica DataWind, diz que o preço ficará ainda mais baixo com o aumento da produção. Um projeto piloto distribuirá gratuitamente as primeiras 100 mil unidades. Que tal um tablet assim sendo vendido no mundo todo, para forçar a baixa de preços?

O fato é que dois modelos tiveram seus preços derrubados em U$ 200,00 por pressão da concorrência do Kindle Fire. Então, quando não há oligopólios (combinação de preços entre concorrentes) o consumidor sai ganhando.

Quanto ao preço dos eBooks, o que ainda ocorre é que as editoras, grandes e pequenas, estão cobrando pelo livro digital um preço absurdo, igual ou até maior do que o livro em papel, sendo que o custo de produção de um livro digital é uma pequena fração do livro em papel.

Os consumidores, mesmo sem ter acesso às planilhas de custos, sabem muito bem que não se pode cobrar R$ 28,00 por um eBook quando a versão em papel custa R$ 31,00.

Quando é que as editoras perceberão que eBook não é livro, é outro universo?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Tecnologia nacional - é preciso ter

Image: anankkml / FreeDigitalPhotos.net


O Brasil - e, de resto, toda a América Latina - precisa urgentemente desenvolver uma tecnologia digital nacional. Isso se torna mais evidente quando vemos os avanços tecnológicos de nosso país em outras áreas.

Vejamos, por exemplo, a prospecção de petróleo: a Petrobras tem firmado contratos em todo o mundo para prospecção, utilizando robôs.

Num outro setor, o de produção agrícola, temos a Embrapa realizando pesquisas de ponta. Resultado: somos uma das referências no mundo em várias modalidades de produção agrícola. Estamos levando, inclusive, essa tecnologia para a África, o que é muito importante pois, segundo analistas, a China tem o objetivo de ser influência hegemônica naquele Continente. Se isso ocorrer, perderemos um gigantesco mercado potencial.

E na produção de computadores, sejam eles computadores de mesa, netbooks, notebooks, smartphones ou tablets? Nessa área ainda estamos engatinhando. O que podemos fazer para começar a caminhada rumo ao domínio dessas tecnologias? Os primeiros passos já estamos dando: conforme noticiamos neste site-blog, o governo está realizando os acertos legais para que 25 empresas produzam tablets aqui. Dessas, quatro já estão produzindo.

Dessa forma, os engenheiros e técnicos brasileiros poderão compreender e assimilar essas tecnologias para, num futuro próximo, começarmos a gerar nossas próprias contribuições nessa área.

Além disso, é preciso construir ainda mais escolas técnicas e superiores, e aprimorar o ensino em todas as áreas. É preciso aproveitar esse momento em que EUA e Europa estão em forte crise. Como dizem os chineses, crise é oportunidade. E eles não apenas dizem isso, mas aplicam na prática...



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O eBook, eliminando os intermediários


As pequenas editoras precisam, rapidamente, se organizar para entrar no mercado de eBooks. Uma das coisas que elas terão a ganhar é o contato direto entre a editora e o leitor, sem intermediários. Essa é, inclusive, uma das características da internet, ou seja, uma conexão direta entre a empresa e o consumidor.

No caso da edição de livros em papel, há dois intermediários importantes, que podemos chamar de parceiros das editoras: a gráfica e a distribuidora. A gráfica arca com o maior custo do livro, que é o custo físico, ou seja, tinta e papel. É até injusto classificá-la como "intermediário". Quem já teve uma gráfica, mesmo que pequena, sabe o alto preço das máquinas. No caso de grandes empresas, esse custo chega a vários milhões. Tinta para impressão offset também é muito cara. O papel, apesar da isenção de ICM, também tem um custo expressivo. As pequenas editoras tem que ser muito agradecidas àquelas almas corajosas que se aventuraram a abrir uma indústria gráfica, quando poderiam ter aberto empreendimentos em outras áreas onde o lucro é mais fácil e rápido.

A gráfica continuará sendo uma parceira da editora ainda por muitos anos, pois o livro em papel ainda terá seu exército de aficcionados por longo tempo.

Outro intermediário fundamental para o livro em papel é o distribuidor. É ele que faz aquele trabalho de formiguinha que consiste em levar o livro aos mais distantes rincões do Brasil. Não é uma tarefa fácil, pois como somos, ainda, um país de poucos leitores, é comum que uma livraria lá do interior do Ceará peça à distribuidora dois exemplares de um título, e mais um daquele outro título. Ou seja, não há a vantagem da quantidade, que ajudaria a distribuidora a reduzir seus custos.

Quando o editor reclama da distribuidora, dizendo que o preço pago pelo livro é muito baixo, deveria pensar melhor e refletir nos custos de armazenamento, de envio, de telefonemas, da comissão de venda, e outros com os quais o distribuidor tem que lidar para se manter "no azul".

Mas, no caso do eBook, não há esse dois intermediários. O pequeno editor pode oferecer diretamente em seu site os títulos, estabelecendo uma comunicação direta com os leitores.

A pequena editora precisa aproveitar as vantagens de ser pequeno e fazer aquilo que as grandes editoras não conseguem: estabelecer um canal de comunicação personalizado com seus leitores. Com o advento do eBook, isso é não só possível. É também necessário para ocupar um lugar nesse mercado emergente.

A eliminação do custo de gráfica e do custo de distrubição permite que o preço do eBook se reduza drasticamente para, digamos, 30% do livro em papel, ou até menos. Mas isso só valerá a pena se ambos, autor e editora, ganharem na quantidade.

O que coloca a questão primordial dos negócios (e da humanidade): é preciso comunicação. É preciso que o leitor se sinta valorizado. É preciso que também os autores se sintam prestigiados e estimulados a escrever mais.

Sobre a questão da venda do eBook falaremos em outros artigos deste site-blog.



Tecnologia - notícias estimulantes

Comecemos este artigo com notícias da banda larga:

PNBL chega a 92 cidades do Ceará em outubro


Uma parceria entre a Telebras e a Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) viabilizará a conexão à Internet de 92 cidades do estado a partir do próximo mês. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22.09) pelo presidente da Telebras, Caio Bonilha, durante debate sobre o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e perspectivas para a universalização do serviço realizado na Universidade de Brasília.
A parceria foi firmada no último dia 31 de agosto e envolve 2,5 mil quilômetros de fibras da Etice instaladas no Cinturão Digital do estado, bem como fibras ópticas que estão nas linhas de alta tensão da Chesf. Segundo Bonilha, nesta semana ocorreu a interligação da rede de ambas as empresas e está em definição qual delas fará a comercialização junto aos provedores de internet que atuam nas 92 cidades contempladas. Para o presidente da Etice, Fernando Carvalho, a iniciativa evita a duplicação de esforços e possibilita ampliar o acesso à banda larga de qualidade no estado.

Durante o debate, o presidente da Telebras destacou o papel dos pequenos provedores de internet que são principais parceiros responsáveis pela conexão dos usuários finais atendidos pelo PNBL. Ele lembrou que apesar de ocupar apenas 10% do mercado, o segmento emprega, direta ou indiretamente, entre 120 e 130 mil pessoas no país. “Os pequenos provedores são os que desenvolvem a banda larga na franja das grandes cidades e no interior do país”, disse.

A notícia completa está aqui. Aliás, comentário en passant: o preço das ações da Telebras subiram quase 100% em 40 dias, mostrando que o mercado sabe e/ou espera que a expansão da empresa seja expressiva nos próximos meses.

Combine-se esta informação alvissareira com esta outra:

25 empresas querem fabricar tablets no Brasil

Pouco tempo depois de afirmar que os primeiros tablets fabricados no Brasil com base na MP que reduz impostos chegarão ao mercado em setembro, Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, disse hoje (12/8/2011) que 25 empresas já manifestaram interesse em produzir esse tipo de dispositivo no país.

De acordo com Mercadante, entre as companhias que fazem parte desta lista estão: Apple, Itautec, LG, Motorola, Positivo, Samsung e Semp Toshiba. Das 25 empresas, 9 já estão praticamente licenciadas, indicando que a sua produção poderá começar em breve: AIOX, Envision, LG, Motorola, MXT, Positivo, Samsung, Semp Toshiba e Sanmina-SCI.

O ministro espera que o mercado brasileiro já conte com tablets produzidos nacionalmente nas festas de fim de ano: “vai ser abundante [a oferta] e eu acho que nós vamos ter, no Natal, muitas opções de qualidade, de preço, de formato. A concorrência é o melhor caminho para o consumidor usufruir [de um produto]”.

Leia esta informação aqui.

Combinando as duas notícias, concluímos que:

É o grande momento do Brasil (e do Mercosul) para se estabelecer fortemente no universo dos tablets, da internet universalizada e, por consequência, do eBook.

As pequenas editoras podem aproveitar esse momento para crescer como nunca antes...

domingo, 25 de setembro de 2011

Truques e dicas - Android

 O sistema operacional Android


Segundo a Wikipédia:

Android é um sistema operacional móvel que roda sobre o núcleo Linux, embora por enquanto seja ainda desenvolvido numa estrutura externa ao núcleo Linux. Foi inicialmente desenvolvido pelo Google e posteriormente pela Open Handset Alliance, mas o Google é o responsável pela gerência do produto e engenharia de processos. O Android permite aos desenvolvedores escreverem software na linguagem de programação Java controlando o dispositivo via bibliotecas desenvolvidas pelo Google. Existem atualmente mais de 250 mil aplicações disponíveis para Android.

O sucesso do Android é inegável: milhões e milhões de smartphones e tablets são vendidos no mundo com esse sistema operacional. Estamos assistindo ao lento ocaso do Windows, que ficará restrito aos computadores de mesa que, no futuro, serão mais usados para trabalhar, enquanto os tablets e smartphones serão os instrumentos de comunicação social.

O Android, sendo gerido pelo conselho de empresas citado antes (Open Handset Aliance), é um sistema aberto, assemelhando-se em parte ao formato epub, que é o formato universal para eBooks. Também o Android tende a ser o formato universal para tablets, excetuando-se o Kindle, da Amazon, e o iPad, da Apple, que usam formatos proprietários, privativos de suas respectivas empresas.

Os sistemas proprietários têm seus limites, principalmente quando software e hardware formam uma dupla inseparável. Como, por exemplo, os computadores da Apple e o seu sistema operacional. Já os sistemas abertos acabam sendo mais democráticos, pois permitem que um eBook seja lido em vários modelos de gadgets.

O que ocorreu, na década de 90, com o Windows, que conquistou mais de 90% do mercado de sistemas operacionais, não se repetirá tão cedo. A tendência atual é de formatos abertos. Assim, o eBook em formato epub tende a se tornar o padrão mundial, assim como o sistema Android tende a se tornar o sistema operacional universal para tablets e smartphones.

sábado, 3 de setembro de 2011

eBook e as pequenas editoras - parte 2

Os tablets virão como tsunami ou marolinha?

























Na primeira parte deste artigo, alertamos para a necessidade de que as pequenas editoras acelerem sua entrada no mundo dos eBooks. Pois bem, as notícias não param de chegar, indicando que é urgente uma tomada de decisão das editoras.

O Governo Federal lançou, esta semana, um programa de popularização de livros. O objetivo é tornar mais acessíveis e baratos livros impressos e em versões digitais (eBooks) e estimular toda a cadeia de produção de livros, passando por escritores e editores, e sobretudo pelos leitores. O projeto foi apresentado na tarde desta quinta-feira (1/9), na abertura da XV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

Aliás, a XV Bienal pode ser chamada de Bienal de eBooks, tal é a quantidade de produtos eletrônicos e livros digitais oferecidos.

Anteriormente, um portaria do Governo reclassificou os tablets como computadores. Resultado: toda a isenção fiscal que abençoa a importação e comercialização de computadores se estendeu também aos tablets, permitindo uma grande redução de preços desses equipamentos. E faltam apenas 4 meses para o Natal...

Isso mostra que as editoras precisam ter uma política clara para o eBook. E elas tem que discutir essa política imediatamente. Deixar para depois pode significar que a editora ficará para trás num mercado extremamente aquecido como é o mercado de produtos digitais.

Um observador externo talvez fique com a seguinte dúvida: os tablets substituirão gradualmente os livros em papel (ao longo de décadas), como ocorreu com o CD substituindo o disco de vinil? Ou será como a tsunami que, em três anos, substituiu praticamente todas as máquinas fotográficas antigas por máquinas fotográficas digitais?

Seja qual for a resposta a essa pergunta, não há um minuto a perder. As editoras precisam entrar nesse mercado. Aliás, é uma enorme oportunidade para as pequenas editoras. Afinal, o eBook elimina vários custos do livro: impressão (deixa de existir), distribuição (passa a ser digital) e armazenamento (também digital). Desse ponto de vista, o eBook é o melhor dos mundos para uma editora, pois torna o livro muito mais acessível.

Por outro lado, os pontos negativos são: como controlar a quantidade de livros vendidos, caso essa venda se dê por uma grande distribuidora, como a Amazon, ou as grandes editoras nacionais, Saraiva e Cultura? E mais: como evitar ou, pelo menos, reduzir a pirataria?


Aguarde a parte 3 deste assunto.

O eBook e as pequenas editoras - parte 1

O eBook ainda é uma esfinge enigmática para as pequenas editora
O eBook ainda é um enigma para as pequenas editoras. Urge decifrar esse enigma.
Caso contrário, elas serão atropeladas pelos fatos.

Recentemente, o Governo Federal implementou regulamentação que classifica os tablets (leitores de livro digital) como computadores, o que resultou em redução drástica de impostos. Isso terá, como consequência, um grande aumento da venda desses equipamentos em nosso país.

Já estamos convivendo com um fenômeno novo ligado à revolução da internet: o eBook. A explosão dos eBooks ainda não foi percebida por muitas editoras, e não foi compreendida por outras. Isso porque trata-se de uma transformação radical na maneira como vemos a leitura.

Essa dificuldade de compreensão pode até ser considerada natural, já que estávamos todos acostumados ao bom e velho livro em papel. A tendência do ser humano é, às vezes, pensar que nada mudará, que tudo o que foi bom no passado continuará a ser aceito no futuro. Só que essa atitude não tem mais justificativa nos dias de hoje, quando os computadores produziram uma transformação na vida de todas as camadas sociais.

O livro digital - eBook - não eliminará o livro em papel, assim como o cinema não extinguiu o teatro, nem o advento da televisão acabou com o rádio. As coisas se somam, pelo menos por 50 ou 100 anos. Meio século foi o tempo aproximado que levou para que o computador eliminasse as máquinas de escrever. Um século foi o tempo que levou para que as locomotivas a diesel aposentassem as velhas locomotivas a carvão. Há público para todos os gostos. No entanto, as máquinas fotográficas digitais serão mais rápidas para aposentar as velhas máquinas fotográficas com filme.

Para os homens e mulheres de negócio, é importante saber a dimensão das coisas novas que surgem, para não ser atropelado por elas. Isso não é fácil para aqueles que são testemunhas oculares das novas tecnologias. Quando surgiu o automóvel, ele era chamado "carruagem sem cavalos", pois as pessoas sentiam necessidade de associar aquela máquina estranha com algo que elas já conheciam. O mesmo fenômeno de comparação ocorre agora, com o eBook sendo comparado com o livro em papel.

Mas um automóvel não é uma carruagem sem cavalos. É um automóvel. Ou seja, é uma nova categoria de transporte. Um eBook não é um livro em papel que foi "passado" para o computador. Um eBook é uma outra categoria de cultura e arte, que no momento apenas podemos vislumbrar.

Só para termos uma ideia, cito aqui algumas possibilidades:

  • Uma história ficcional em formato eBook pode ser lida do ponto de vista de vários personagens. O leitor, de início, opta por um deles como narrador, para seguir os acontecimentos. Depois, poderá ler novamente, mas do ponto de vista de outro personagem.

  • Pode-se colocar links para páginas da internet. Esses links podem ser de esclarecimentos culturais a respeito de alguma passagem do livro. Mas podem ser para dar ao leitor um bônus de presente na compra de seu próximo eBook.

  • E, brevemente, os formatos permitirão a inclusão de sons e pequenos vídeos. A riqueza do eBook parece não ter limites. Isso é particularmente verdade para os eBooks ficcionais. Contar uma estória num livro em papel é uma coisa. Contar essa estória num eBook é outra coisa, muito mais rica em possibilidades.
As editoras que não acordarem rapidamente para esse novo mundo digital e insistirem em não lançar títulos em formato digital correm o risco de perderem o bonde da História. Para estas editoras, a realidade cobrará seu preço, que pode ser muito alto.

Nossa conversa filosófica continua neste espaço. Nos próximos artigos, vamos abordar o eBook também do ponto de vista comercial. Como calcular o preço de um Ebook? Como fazer um contrato entre a editora e o autor para o lançamento de um eBook? O eBook pode ser uma grande oportunidade para as pequenas editoras?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tecnologia

Qual tablet escolher?
Aliás, o que é mesmo um tablet?

Antes de mais nada, é fundamental saber que um tablet não é um computador pessoal. Há coisas que ficam muito difíceis ou impossíveis fazer com ele.

Podemos dizer que um tablet é um dispositivo de lazer. Com ele podemos acessar nossos e-mails, ouvir música, ler muitos eBooks e receber chamadas de texto e/ou voz e/ou imagem pelo Skype, MSN, Google Talk, etc.

Mas há coisas que não se pode fazer num tablet, como usar um programa especializado, fazer uma planilha mais complexa, etc.

Se você quer um tablet para ler eBooks, o Kindle, da Amazon é o mais indicado, apesar de sua tela em preto e branco. A tela do Kindle não emite luz, o que é uma ideia genial, pois torna a leitura de eBooks muito agradável e mais próxima do livro em papel.

As principais vantagens do tablet são sua total portabilidade e a facilidade de utilizá-lo em qualquer ambiente. Ele se conecta à internet sem fio (wireless) e tem o tamanho e o peso de um livro.



Nas próximas matérias, falaremos mais de cada um dos inúmeros modelos de tablet disponíveis no mercado.