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sábado, 7 de janeiro de 2012

Em bom português - "a gente"

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Criou-se, no Brasil, a expressão "a gente", que significa "nós". É uma gíria. Ao invés de dizer nós vamos ao teatro, ficou chic dizer a gente vai ao teatro. As pessoas acham que é mais descontraído, menos formal.

Essa expressão tornou-se tão usada que algumas pessoas praticamente não usam mais a primeira pessoa do plural (nós). Ficam o tempo todo dizendo "a gente vai fazer isso", "a gente está cansado", "a gente foi ao cinema", etc.

A palavra gente é feminina. Isso resulta em um erro adicional quando se diz "A gente está cansado". Ora, o certo, pela regra culta, seria dizer "A gente está cansada". Ou seja, erro induzindo a mais erro.

Essa forma de falar, usando "a gente", é muito feia, e dói nos ouvidos. Pior, está sendo usada também na linguagem escrita.

Há um agravante: é uma expressão que prejudica o entendimento do português por parte dos nossos vizinhos de idioma hispânico. Isso porque, em espanhol, a expressão "la gente" significa os outros. Portanto, se um brasileiro disse "a gente vai ao cinema", um argentino poderá entender que os outros vão ao cinema.

Já que estamos numa época em que as relações comerciais com nossos vizinhos estão se fortalecendo, seria bem melhor que evitássemos essa expressão empobrecedora. E mesmo que você não tenha nenhum contato com pessoas de idioma hispânico, também é de bom alvitre eliminar o "a gente" de sua vida.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O português de lá e o de cá


Brasil, Portugal e outras nações usam o idioma português. Mas, na verdade, não é exatamente o mesmo idioma. E não é só uma questão de pronúncia. São idiomas usados de maneira diferente, assim como o inglês dos EUA é diferente do inglês britânico. Sobre isso, Winston Churchill, em discurso dirigido ao público dos EUA, disse, brincando:
- Somos duas nações separadas pelo mesmo idioma.

O português de Portugal é um idioma exato, matemático. O português brasileiro é um idioma dedutivo. Por exemplo, um brasileiro, no final de uma festa, pergunta a outro brasileiro:
- Você está de carro?
O outro responde:
- Eu te dou uma carona, quer?
Se a pergunta fosse direcionada a um português, ele responderia:
- Sim, estou.
Ou seja, responde-se EXATAMENTE àquilo que foi perguntado, sem se embrenhar em tentativas de especular o que o outro estaria querendo dizer com aquela pergunta.

Outros exemplos:
- Qual é seu celular?
Um brasileiro responderia dando o NÚMERO do celular. Um português provavelmente responderá:
- Nokia.

Caso real, ocorrido com turista brasileiro em Portugal (esses casos devem ser comuns). Era uma sexta-feira. O brasileiro precisou ir à uma farmácia, comprar um medicamento de seu uso. Fez a compra normalmente e foi embora, atravessando a rua. Então lembrou-se de que no domingo teria que comprar mais uma dose do medicamento. Mas não sabia se encontraria a farmácia aberta em pleno domingo. Para não ter que voltar à farmácia, cruzando de volta pela rua, só ele foi tirar sua dúvida em uma banca de revistas próxima.
Perguntou ao jornaleiro:
- Senhor, aquela farmácia, do outro lado da rua, fecha aos domingos?
- Não senhor. Não fecha.
- Obrigado pela informação.
Despediu-se e foi embora para o hotel. Pois bem, no domingo, ao dirigir-se à farmácia, encontrou-a fechada. Desapontado, foi até o jornaleiro, tentando esclarecer o caso:
- Senhor, o senhor me disse que a farmácia não fecha aos domingos, mas ela está fechada.
- Ah, sim, está.
- Mas o senhor disse que ela não fecha aos domingos.
- Não, não fecha. Ela fecha aos sábados à uma da tarde e reabre na segunda-feira às oito horas da manhã. Aos domingos ela não fecha. Aos domingos ela ESTÁ FECHADA.

Um amigo deste articulista contou o seguinte: a esposa dele exerce trabalho no qual tem que se comunicar, por telefone, com outros países. O primeiro contato com Portugal transcorreu da forma contada a seguir.
Depois que a ligação foi completada, a brasileira iniciou a conversação:
- Alô?
- Está lá? - respondeu a moça portuguesa.
Nesse ponto, a brasileira fez a pergunta usual:
- Quem está falando?
A resposta foi:
- Você, ora!!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Mais leitura, urgente!!


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Para que os livros em papel e os eBooks sejam produtos mais vendidos em nosso país, é preciso estimular o hábito da leitura. O Brasil melhorou nesse quesito nos últimos anos, mas ainda está longe de países vizinhos, que cultivam a leitura como um fator fundamental de Educação.

O baixo índice de leitura explica porque os alunos do ensino fundamental e médio vão tão mal nas provas de redação do ENEM. O estado de São Paulo, por exemplo, obteve uma das mais baixas notas nesse quesito.

A falta do hábito de leitura explica também porque vemos tantos erros de portugues em placas, cartazes e avisos. Todos podemos errar. Não somos perfeitos. Mas, além de um certo limite, o erro denota ausência de leitura.

Será que o Brasil se diferencia de seus vizinhos por se espelhar excessivamente nos EUA? Afinal, com todos os méritos que os EUA têm, trata-se de um país que tem baixíssimo índice de leitura e baixíssima qualidade na Educação básica pública.

A maioria dos tablets tem inúmeras funções, além da leitura de livros. E boa parte dos jovens entende os livros como uma obrigação, como algo que ele tem que "encarar" quando está na faculdade.

Os jovens que agora já estão em postos de trabalho e que se formaram na década passada já encontraram uma escola - seja pública ou particular - com qualidade bastante questionável. Por isso, não é surpresa vermos placas, avisos e menus de restaurantes com erros graves de português. Também por isso é comum que haja dificuldade de intelecção de textos nas empresas.

Recentemente, o MEC lançou a campanha pelo livro popular, Nós, que militamos na área de Ebooks e livros em papel, precisamos encontrar meios de estimular a leitura. Uma iniciativa que vai nesse sentido é o Programa do Livro Popular (PLP), lançado pelo Ministério da Cultura, que visa baratear o livro e facilitar o acesso a ele por parte das camadas mais pobres da população.

Ao abrir inscrições para editoras e revendedores, o PLP também estimula essas empresas a se conectar mais com os leitores da classe C. As obras devem ter preço máximo de R$ 10,00. Para as grandes editoras, cujos custos são maiores, não é fácil chegar a esse preço. As editoras pequenas, por seus custos menores, talvez levem vantagem.

O PLP é uma boa iniciativa, mas não pode ser a única. É mister que mudemos os paradigmas dos brasileiros em relação ao livro e à leitura.

domingo, 20 de novembro de 2011

Em bom português - Cuidado com as gírias

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As gírias fazem parte de nosso dia a dia. Não há problema nenhum em seu uso na linguagem falada.

É claro que, naquela apresentação para a diretoria, o funcionário não usará gíria, exceto se o ambiente da empresa for muito, muito informal, o que não é comum. Mas esse mesmo funcionário poderá usar gírias e expressões quando estiver entre amigos e familiares.

Gírias são palavras inventadas ou modificadas, ou somente modificadas em seu conteúdo. Alguns exemplos:

- Irado = excelente

- Demorô = gostei

- Vê se pode! = mas que absurdo!

- Despencou = caiu
Na linguagem escrita é preciso limitar ao máximo o uso de expressões e gírias, pois elas são diferentes conforme a região do Brasil, e conforme a época. Em um ano ou dois, uma gíria pode cair em rápido desuso. Um livro (em papel ou digital) que contiver essas expressões ou gírias se tornará obsoleto, datado. Ou então só será atraente para aquelas regiões nas quais as expressões são usadas.

Nas revisões de livros ficcionais, é preciso alertar o autor para esses fatos. E, na diagramação dos livros, é necessário colocar as gírias em itálico, pois se o leitor não conhecer aquela gíria ou expressão, pelo menos o itálico irá alertá-lo de que se trata de português coloquial.

Ainda falando de livros ficcionais, é aceitável que os diálogos incluam gírias e expressões, quando estão na boca de um personagem que pede esse tipo de linguajar. No entanto, deve-se evitar gírias quando é o próprio autor se expressando como narrador.

Mas, atenção. Que este artigo não sirva de pretexto para preconceito linguístico. Lembremo-nos sempre de que existem vários formatos do idioma português - ou de qualquer outro. Não podemos considerar que o modo popular de se expressar seja "errado". Sobre isso, vamos postar novamente o vídeo da Editora Abril, que fala sobre a exposição Menas, patrocinada por ela.

sábado, 8 de outubro de 2011

Em bom português - novamente o zero à esquerda


O assunto já foi abordado aqui recentemente. Mas é necessário voltar a ele, pois o zero à esquerda tornou-se uma praga, e não só no Brasil.

Este site-blog recebeu um e-mail de publicidade oferecendo uma interessante luminária que conta com 04 opções de música. E com a possibilidade de, na compra de 02 peças, ganhar um sapo babão...

Note-se que o texto está bom. A palavra luminária foi corretamente acentuada, já que se trata de uma paroxítona terminada em ditongo crescente. Não foram colocados estrangeirismos desnecessários. Uns pequenos desajustes aqui e ali. Mas o erro gritante é o zero à esquerda, que apareceu duas vezes!!

É o caso de se perguntar: por que então os autores não foram coerentes com seu erro, colocando o preço com zero à esquerda, R$ 089,90?

Repetimos: o zero à esquerda é errado, desnecessário e feio. Cabe aqui aquela frase do escritor Carlos Drummond de Andrade: Escrever é como escolher feijão: o que boiar, você tira.

sábado, 1 de outubro de 2011

Em bom português - estrangeirismos

- Senhores, benvindos ao nosso curso in company. Conforme informamos no nosso paper, vamos ter, pela manhã, uma reunião de brain storming, com um coffee break, depois um meeting entre os CEOs. O lunch será no restaurante Italian Food, que é bem próximo da nossa empresa. À tarde, teremos nosso workshop de marketing. Não se esqueçam de trazer os badges, que são necessários para ter acesso à meeting room.

Quantos de nós já nos deparamos com esse palavreado eivado de estrangeirismos ou, mais precisamente, anglicismos. Em certas regiões do Brasil, como São Paulo, palavras em inglês são consideradas de bom gosto, finas, na moda, etc. O sujeito abre uma academia e a batiza de "Body Fit". Ou faz uma liquidação e coloca, na vitrine, "50% OFF".

Não se vê muito esse comportamento no Nordeste, ou no Sul. É coisa mais frequente na região Sudeste, principalmente a cidade de São Paulo. A ponto de termos, por aqui, um restaurante italiano (veja bem, ITALIANO) chamado Italian Food (sic).

Trata-se de um sinal de subserviência, um colonialismo cultural que é inaceitável para aqueles que gostam de um português de qualidade. Nosso idioma é riquíssimo, enquanto que o inglês é uma língua pobre. Afinal, trata-se de um idioma originário de povos bárbaros e sem cultura. E alguns querem trocar palavras em português por termos em inglês!!

A questão é ainda mais séria, pois o uso de estrangeirismos produz, de fato, uma atitude de considerar que o outro povo, aquele mais "desenvolvido" (?) é superior e, por isso, se usa palavras extraídas do idioma do outro.

O ideal é usarmos o mínimo possível de estrangeirismos. Vá lá, não vamos fazer como os portugueses, que dizem "rato" ao invés de "mouse". Há palavras como essa, que já estão incorporadas à nossa cultura e não é razoável tentar extirpá-las. Mas termos como "meeting", "50% off", "lunch", "badge" e outras são absolutamente desnecessárias, já que há palavras em português - reunião, 50% de desconto, almoço, crachá - que podem ser usadas e funcionam perfeitamente nas frases em que as utilizamos.

Aliás, o parâmetro para o uso ou não de estrangeirismo é esse mesmo: quando há uma palavra em português que cabe perfeitamente na frase, deverá ser usada. O mouse deve ser chamado de mouse, pois rato é um mamífero da família dos roedores, e não uma ferramenta do computador. Por outro lado, "50% off" é absolutamente desnecessário.

domingo, 25 de setembro de 2011

Em bom português - a praga do gerundismo

"Caso o senhor esteja efetuando a compra,
vou poder estar agendando para que seu produto
possa estar sendo entregue ainda esta semana."

Quantos de nós já não ouvimos essas barbaridades por telefone? Quantos de nós, influenciados por esse erro, passamos também a usar o gerúndio em nosso dia-a-dia?
- vou estar fazendo
- ao invés da construção correta - farei
Supõe-se que essa bobagem tenha se originado numa tradução meia-boca de texto em inglês. O fato é que ela se iniciou em São Paulo, um estado que peca por um forte colonialismo cultural em relação aos EUA. São Paulo é o estado onde um brasileiro abre uma academia e chama de "Body Fit". Onde um outro brasileiro abre um restaurante ITALIANO e o batiza de "Italian Food" (sic).
Independente da origem, aqui vai uma vacina para que não incorramos nesse erro, que alguns linguistas condescendentes classificaram como uma "construção heterodoxa", e não como erro.

Vou estar fazendo
- farei  √

Vou estar viajando
-
viajarei 

Vou estar enviando
-
enviarei 
etc.

O gerundismo se espalhou rapidamente há uns dois anos atrás, de São Paulo para quase todo o Brasil (excetuando-se Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, estados que primam por um português de qualidade).

Felizmente, essa desgraça foi tão combatida na internet e nos veículos de comunicação, que está praticamente extinta.



domingo, 18 de setembro de 2011

Em bom português

As idiossincrasias do jornalismo

Em outro ponto deste espaço mencionamos que o jornalismo brasileiro segue o modelo de superficialidade e futilidade que impera no jornalismo dos EUA. Um dos resultados inevitáveis dessa opção é a degradação do idioma pátrio. Neste artigo abordamos alguns desses desastres linguísticos.

A praga do "conferir"

Quantas vezes já ouvimos, no rádio ou na tv, algum jornalista, referindo-se a algum espetáculo de arte, dizer:

- Vale a pena conferir.

Este site-blog considera essa frase uma bobagem, um cacoete, enfim, uma parvoice aureolada. Afinal, segundo o dicionário, o verbo conferir significa "verificar se está correto".
[Do lat. *conferere, por conferre.]
Verbo transitivo direto.
1.Ver se está certo; comparar, confrontar, verificar:
Levou longo tempo a conferir o recibo.
2.Dar, conceder, outorgar:
Na confissão o sacerdote confere o perdão dos pecados.
3.Jur. Trazer à colação; colar, colacionar.
Verbo transitivo direto e indireto.
4.Comparar; confrontar, cotejar:
Conferiu as provas com o original;
“Passei uma última vez pela Livraria José Olímpio, na Rua do Ouvidor, para conferir minhas recordações com os objetos que a elas estão ligados.” (Carlos Drummond de Andrade, Fala, Amendoeira, p. 49).
Algum crítico de arte, sabe-se lá há quantos anos, resolveu ser engraçadinho e usar o verbo conferir, ao invés de assistir, visitar, apreciar. E essa bobagem se espalhou rapidamente, tornando-se um modismo e, depois, um cacoete que persiste até os dias de hoje. Nunca use!! Se você já usou, ajoelhe-se em tampinhas de Crush. Viradas para cima, evidentemente.

O tempo instável, mas que é estável

- Hoje o dia será chuvoso na parte da manhã, à tarde e à noite. Teremos, portanto, tempo instável em todo o decorrer do dia.

Ora essa, se o tempo não mudará durante todo o dia, ele será estável, e não instável, já que, segundo o dicionário, instável é aquilo que não permanece igual.
instável

[Do lat. instabile.]
Adjetivo de dois gêneros.

1.
Não estável; inconstante, mudável, mutável:
Solo instável

2.
Volúvel, inconstante:
gênio instável.

3.
Móvel, movediço. [Opõe-se a estável.]
Portanto, o tempo será chuvoso durante todo o dia, mas não instável. Tempo instável é aquele momento de transição antes da chuva, quando o céu se acinzenta, prenunciando um temporal. Como a maioria dos jornalistas (salvo as honrosas exceções) tem um raciocínio, digamos, um pouco lento, dentro de uns 200 anos eles perceberão esse erro.

Língua culta e língua popular

Como o nível do ensino fundamental decaiu muito em vários estados do Brasil, os que teriam a função pública de zelar por um idioma culto, o desprezam.

Não se trata de menosprezar o falar do povo. Ao contrário, neste artigo publicado anteriormente já apresentamos um vídeo da Editora Abril que valoriza o idioma dos mais simples. Esse vídeo mostra que não se pode considerar "errada" a expressão linguística popular, pelo simples motivo de que o idioma é vivo e está em constante transformação. Essas mudanças são produzidas, justamente, pelas formas populares da língua que acabam se dicionarizando.

Jornalistas deveriam ser representantes do idioma culto. Mas, em geral, não são.

As letras mudas tem que ser mesmo mudas

Sabemos que todos podemos errar. Mas há um limite.  É comum ouvirmos, no rádio e tv, palavras brasileiras e estrangeiras que apresentam consoantes mudas serem pronunciadas de maneira arrevesada. Como, por exemplo:

Amisterdan, ao invés do correto, Amsterdan;
Tissunami, ao invés do correto, Tsunami;
adevogado, ao invés do correto, advogado;
piscicólogo, ao invés do correto, psicólogo;
opitar, ao invés do correto, optar;
abidicar, ao invés do correto, abdicar;
subissolo, ao invés de subsolo.
Uma dúvida: o que é um "piscicólogo"? Será um especialista em criação de peixes (piscicultura)? Ou um especialista em piscinas?


Ouve-se, na mídia, várias pronúncias pobres do mesmo tipo, na qual as letras mudas são destruídas. Não se sabe se é um problema cognitivo ou de fala. Ou ambos...

sábado, 3 de setembro de 2011

Em bom português - zero à esquerda

Zero à esquerda
Além do deselegante "05", ainda por cima "abastessa" com ss!

Antigamente, quando alguém queria dizer que uma pessoa era uma nulidade, dizia que "Fulano é um zero à esquerda". Essa expressão se baseava numa propriedade dos números que conhecemos como algarismos "arábicos" - na verdade, índicos - e do papel do algarismo zero.
Aliás, a invenção do algarismo zero foi uma revolução. Por um bom tempo, a Igreja proibiu o uso dessa notação aritmética, pois percebeu que com ela era muito fácil para o povo fazer cálculos. E povo que sabe fazer cálculos é um povo perigoso para os que querem controlá-lo e dominá-lo.
Mas voltando ao algarismo zero, ele é poderoso quando colocado à direita. Por exemplo, 1 com o 0 à direita torna-se 10. Mas zero à esquerda não vale nada. Tanto faz 1, 01, 001, 0001. Não importa quantos zeros coloquemos à esquerda do 1, ele continua sendo apenas o número 1. Por isso usava-se a expressão "zero à esquerda" para desqualificar uma pessoa.
Então, quando dissermos que o encontro será dia 5 de janeiro, não devemos colocar 05 de janeiro. É desnecessário, é deselegante, é feio. O zero à esquerda só deve ser usado quando tratar-se de preenchimento de formulários, em papel ou na internet. Nesse caso, vale colocar |05|01|2011|, pois o preenchimento eletrônico exige um número determinado de dígitos  (dois dígitos para o dia e para o mês e quatro para o ano). Mas se for num texto, não tem cabimento.
Essa praga do zero à esquerda espalhou-se como fogo em mato seco. Tornou-se, infelizmente, um erro comum.
Em geral, os numerais devem ser colocados por extenso em texto corrido. "Somos em quatro irmãos", por exemplo. Quantias em dinheiro, por outro lado, são, em geral, expressas em numerais.
Já que estamos no assunto, NUNCA escreva hum. Hum está ERRADO. Lamentavelmente, essa grafia foi usada em cheques para evitar falsificações. Mas mesmo nesse caso é desnecessário, pois basta escrever em letras de forma no estilo caixa alta - todas em maiúsculas - para dificultar qualquer malfeito.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Em bom português - língua culta e língua popular

Língua culta e língua popular

O livro Por uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender, trouxe à tona velha polêmica: de um lado, linguistas que rejeitam o falar popular e se encastelam no mundo acadêmico, ignorando que o idioma está em constante mutação. De outro, especialistas que estudam a dinâmica linguística, reconhecendo que a língua culta é importante, sim, mas que a língua popular tem seu papel.

Não podemos nos esquecer que o português, como língua neolatina, vem de formas populares do latim que, ao longo da História, foram transformadas em novos idiomas.

O livro tem 269 páginas. Uma única página incomodou. Nesta página, a professora Heloisa Ramos simplesmente reconhece a existência do falar do povo. Mas aqueles que criticaram a obra nem mesmo a folhearam. Apenas repetiram, como papagaios, o que outros diziam.

Aqui postamos um vídeo da revista Nova Escola, da Editora Abril, que nos parece ser mais do que suficiente para dirimir quaisquer dúvidas.