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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A linha de montagem de um eBook

O eBook é um mundo novo. Aliás, o século 21 é um mundo novo, no qual a internet ganhou muita força, com os aparelhos portáteis que acessam a rede, tais como smartphones, netbooks e, claro, os tablets.

Se para o leitor, o eBook é uma agradável descoberta, para algumas editoras, é ainda um mistério a ser decifrado. Para outras, é uma mina de ouro.

As grandes e pequenas editoras estão, aos poucos, saindo do velho paradigma do livro em papel. Não que ele vá terminar de uma hora para outra. Mas é que agora o livro em papel não é mais a única possibilidade para um autor. Em breve deixará de ser uma alternativa vantajosa para os jovens autores, embora talvez continue sendo para os nomes consagrados.

O eBook permite uma drástica redução de custos, mesmo quando é produzido de maneira profissional. E, antes de abordar o tema deste post, a linha de montagem de um eBook, vejamos como seria a maneira não-profissional de produzir eBooks.

Uma dessas formas amadoras é quando o autor, ao invés de procurar ajuda de um profissional da área, resolve lançar um eBook por conta própria. Em geral ele dispensa a revisão ortográfica e gramatical. Escreve o texto no Word e o transforma em pdf no programa chamado PDF Creator, que é uma impressora virtual que, ao invés de imprimir em papel, faz uma cópia exata do arquivo em pdf.

Os problemas desse caminho são vários. Por exemplo, nesse programa não é possível criar links internos, ou seja, locais em que o leitor possa clicar para ir ao capítulo que deseja ler. A falta de revisão é um sério problema, pois todos nós cometemos erros de digitação, de concordância. A revisão é fundamental. Além disso, é preciso uma diagramação profissional, que torne a leitura agradável. Sem revisão, sem links, sem diagramação, o livro perde muito.

O caminho profissional deve contar com os seguintes passos:

1) o primeiro, obviamente, é a criação do livro. No nosso post anterior, damos algumas sugestões de como liberar sua criatividade num eBook. A criação de um bom livro pode durar até 5 anos ou mais. Ao longo de nossas lides profissionais na Editora Sucesso, vimos livros que demoraram 10 anos para serem lançados. Mas, se você tem o cérebro extremamente ágil, poderá escrever um livro em um ano.

2) em seguida, o trabalho precisa passar pela revisão ortográfica e gramatical. Dispensar essa etapa é um erro fatal, pois certamente o livro será lançado com erros. Em média, se o escritor tem um português impecável, encontra-se apenas 5 erros por página. Se o autor não é tão bom assim, esse número cresce.

3) depois vem a diagramação. Há muitas diferenças entre a diagramação para livro em papel e a diagramação para eBook. Em ambos os casos, a meta é tornar a leitura fluida e agradável. No caso do eBook, é possível colocar imagens coloridas, já que não há o custo da tinta e do papel. Na verdade, a diagramação do eBook é mais trabalhosa, pois envolve a colocação de links e a divisão de capítulos em sub-arquivos, entre outros procedimentos.

4) a fase seguinte é a comercialização. Sobre ela falaremos mais adiante neste espaço.

Detalhes importantes:

a) por uma questão legal, não se pode usar no eBook nenhuma fonte sobre a qual o autor ou a editora não tenham os direitos para uso comercial. As fontes que baixamos da internet nem sempre nos dão essa autorização para uso irrestrito. Então, na dúvida, é melhor usar as fontes tradicionais que já vêm com o sistema operacional.

b) o mesmo vale para figuras. Seja no livro em papel, seja no eBook, não se pode usar figuras que baixamos da internet. É preciso ter uma autorização por escrito do autor ou detentor dos direitos sobre as figuras, sejam elas fotos ou ilustrações.

c) é possível, claro, citar trechos de outros livros, desde que os autores desses outros trabalhos ou as editoras que os publicaram tenham autorizado essa citação. Isso pode ser verificado no próprio livro que se quer citar.

No livro em papel, sabe-se de casos de livros que burlaram uma ou mais das restrições acima, principalmente a restrição sobre fontes. Mas no livro digital o uso da fonte fica registrado no próprio arquivo do eBook. Por isso, é muito mais fácil de detectar o uso não autorizado.

Finalizando, gostaríamos de dizer que o eBook estimula bastante os autores a escrever, pois a redução dos custos torna muito mais viável o retorno financeiro para o autor e para a editora.


sábado, 1 de outubro de 2011

Em bom português - estrangeirismos

- Senhores, benvindos ao nosso curso in company. Conforme informamos no nosso paper, vamos ter, pela manhã, uma reunião de brain storming, com um coffee break, depois um meeting entre os CEOs. O lunch será no restaurante Italian Food, que é bem próximo da nossa empresa. À tarde, teremos nosso workshop de marketing. Não se esqueçam de trazer os badges, que são necessários para ter acesso à meeting room.

Quantos de nós já nos deparamos com esse palavreado eivado de estrangeirismos ou, mais precisamente, anglicismos. Em certas regiões do Brasil, como São Paulo, palavras em inglês são consideradas de bom gosto, finas, na moda, etc. O sujeito abre uma academia e a batiza de "Body Fit". Ou faz uma liquidação e coloca, na vitrine, "50% OFF".

Não se vê muito esse comportamento no Nordeste, ou no Sul. É coisa mais frequente na região Sudeste, principalmente a cidade de São Paulo. A ponto de termos, por aqui, um restaurante italiano (veja bem, ITALIANO) chamado Italian Food (sic).

Trata-se de um sinal de subserviência, um colonialismo cultural que é inaceitável para aqueles que gostam de um português de qualidade. Nosso idioma é riquíssimo, enquanto que o inglês é uma língua pobre. Afinal, trata-se de um idioma originário de povos bárbaros e sem cultura. E alguns querem trocar palavras em português por termos em inglês!!

A questão é ainda mais séria, pois o uso de estrangeirismos produz, de fato, uma atitude de considerar que o outro povo, aquele mais "desenvolvido" (?) é superior e, por isso, se usa palavras extraídas do idioma do outro.

O ideal é usarmos o mínimo possível de estrangeirismos. Vá lá, não vamos fazer como os portugueses, que dizem "rato" ao invés de "mouse". Há palavras como essa, que já estão incorporadas à nossa cultura e não é razoável tentar extirpá-las. Mas termos como "meeting", "50% off", "lunch", "badge" e outras são absolutamente desnecessárias, já que há palavras em português - reunião, 50% de desconto, almoço, crachá - que podem ser usadas e funcionam perfeitamente nas frases em que as utilizamos.

Aliás, o parâmetro para o uso ou não de estrangeirismo é esse mesmo: quando há uma palavra em português que cabe perfeitamente na frase, deverá ser usada. O mouse deve ser chamado de mouse, pois rato é um mamífero da família dos roedores, e não uma ferramenta do computador. Por outro lado, "50% off" é absolutamente desnecessário.

domingo, 25 de setembro de 2011

Em bom português - a praga do gerundismo

"Caso o senhor esteja efetuando a compra,
vou poder estar agendando para que seu produto
possa estar sendo entregue ainda esta semana."

Quantos de nós já não ouvimos essas barbaridades por telefone? Quantos de nós, influenciados por esse erro, passamos também a usar o gerúndio em nosso dia-a-dia?
- vou estar fazendo
- ao invés da construção correta - farei
Supõe-se que essa bobagem tenha se originado numa tradução meia-boca de texto em inglês. O fato é que ela se iniciou em São Paulo, um estado que peca por um forte colonialismo cultural em relação aos EUA. São Paulo é o estado onde um brasileiro abre uma academia e chama de "Body Fit". Onde um outro brasileiro abre um restaurante ITALIANO e o batiza de "Italian Food" (sic).
Independente da origem, aqui vai uma vacina para que não incorramos nesse erro, que alguns linguistas condescendentes classificaram como uma "construção heterodoxa", e não como erro.

Vou estar fazendo
- farei  √

Vou estar viajando
-
viajarei 

Vou estar enviando
-
enviarei 
etc.

O gerundismo se espalhou rapidamente há uns dois anos atrás, de São Paulo para quase todo o Brasil (excetuando-se Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, estados que primam por um português de qualidade).

Felizmente, essa desgraça foi tão combatida na internet e nos veículos de comunicação, que está praticamente extinta.