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quinta-feira, 1 de março de 2012

O poder de processamento dos tablets

Raspberry PI, o computador mais barato do mundo - página dessa imagem aqui

É certo que há coisas que só um computador de mesa pode fazer. Este blogueiro trabalha com programas de ambientação digital (CG) para criar imagens para livros. Mesmo num computador de mesa, algumas imagens demoram 70 ou 80 horas para serem renderizadas (1). Num notebook, mais ainda. Num netbook, quase impossível. Num tablet, totalmente impossível. Até porque esses programas só rodam em Windows, OS ou Linux. Não rodam em Android ou qualquer outro sistema operacional de tablets.

Os tablets foram feitos para atividades que exigem menos da máquina, como jogos, navegação na internet, receber e remeter e-mails, falar com outra pessoa pelo Skype, Gtalk ou msn, etc.

Então o computador de mesa (desktop) é hoje um computador de trabalho, embora os saudosistas como eu o usem para tudo. Enquanto que os tablets e eReaders são aparelhos mais ligados à diversão e descontração, e também aos estudos, já que eles podem armazenar uma enorme quantidade de livros.

Mas e o futuro? É inevitável que as máquinas fiquem cada vez menores e, ao mesmo tempo, mais potentes. Veja-se, por exemplo, o Raspberry PI, computador construído pela Fundação Raspberry PI - com apoio do Laboratório de Computação da Universidade de Cambridge. A versão mais simples custa U$ 25,00, e sua capacidade de processamento ultrapassa a maioria dos tablets.

Com a entrada da nanotecnologia na área de circuitos impressos, poderemos ter um computador potentíssimo que caberá no espaço de um botão de camisa.

Bom, agora, voltando ao presente, não se iluda achando que poderá abrir, num tablet, aquela planilha de 20 mb que você elaborou no notebook. Ainda não é possível. Também não se pode abir, no tablet, um programa como o Blender 3d ou o Vue 10 Complete (são os softwares que uso para criar imagens). Por outro lado, se você é da área administrativa, o tablet pode auxiliá-lo a guardar dados de clientes e funcionários, acessar e-mail - como dissemos antes - e elaborar textos. Pronto, lá se foi a separação de funções por água abaixo. O tablet, além da diversão e dos estudos, já começa a ser usado nos escritórios como ferramente de trabalho em certas áreas que, como mencionamos, não exigem grande capacidade de processamento ou memória.

(1) renderizar é gerar a imagem final de um programa de ambientação 3D.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A pirataria de eBooks



O site Revolução eBook publicou um artigo com o elucidativo título "É Fácil Ganhar com o Dinheiro dos Outros". Este artigo inclui algumas considerações sobre o que lá foi discutido.

A pirataria é um sério problema para músicos, autores de livros e também para o cinema.

O eBook ainda é, hoje, um livro sem papel. Mas este blog avalia que ele pode se transformar numa obra multimídia, que inclui texto, imagem, som e vídeo. Por um lado, isso abre amplas possibilidades que, certamente, encantarão o cliente - veja-se, por exemplo, o eBook do Al Gore, que abordamos aqui -e que, também, atiçarão a pirataria do eBook.

Nesse sentido, a arma que temos hoje para reduzir essa pirataria é a proteção criptográfica. Por exemplo, o DRM da Adobe, que reduz a pirataria pela adição de um código que impede a leitura do eBook em mais de que seis computadores. Por que seis? Digamos que três sejam do comprador - um de mesa e um tablet, e mais três sejam para outros usos. Dar a um amigo ou colocar o eBook no computador da empresa, por exemplo.

Também a Apple e a Amazon tem sistemas de proteção ao autor e às editoras.

A questão a considerar é que a pirataria, como diz o título do artigo do Revolução eBooks, é uma forma de ganhar com o trabalho dos outros. Ganhar dinheiro ou ganhar prestígio. Sites de pirataria de obras artísticas ou culturais lucram, direta ou indiretamente, com criações de outrem, que exigiram tempo, dinheiro e recursos materiais.

Um outro fator importante para reduzir a pirataria do eBook e torná-la desinteressante, através da redução drástica do preço dos eBooks. A Amazon, por exemplo, tem títulos por U$ 0,99. Esses títulos são menos pirateados, pois a maioria dos leitores prefere comprar o original.

É perfeitamente possível reduzir o preço dos eBooks para valores que são uma fração do preço do mesmo livro físico. Afinal, como já foi abordado aqui, o eBook dispensa um dos principais componentes do custo do livro, que é o papel. Mesmo sendo papel isento de impostos, ele é caro.

Além disso, não é só o custo físico do papel. Há o custo da gráfica para imprimir o livro. Não podemos esquecer da tinta, das impressoras, da mão de obra especializada que é exigida para a impressão. Assim, para as pequenas editoras, a impressão do livro representa 60% ou mais do custo. Por isso consideramos totalmente irreal o eBook custar quase o mesmo que o livro em papel.

O DRM e as outras formas de proteção do eBook contra a pirataria não são perfeitas. Elas precisam ser complementadas com a redução do preço do livro, desestimulando a cópia pirata.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O livro no Brasil

Pedro Herz, dono da livraria Cultura, deu entrevista ao jornal Folha de São Paulo. Nessa rápida conversa ele emitiu opiniões sobre vários temas: livro, eBook, Amazon, Google Books. Assista a entrevista e, abaixo, voltamos a conversar.


Pedro Herz declara que a vinda do Google Books e da Amazon ao Brasil é algo que ainda está "bastante cru". Diz ele que ninguém sabe ainda como será esse modelo.

O fato é que as duas gigantes não dão ponto sem nó. Com certeza elas sabem muito bem como será o modelo. A concorrência é que ainda não sabe. O fato é que a Amazon vende muito bem, tanto livros em papel como eBooks, e o modelo de negócios é bastante ágil. Falaremos mais dele neste blog.
Herz lembra que a vinda das duas empresas ao Brasil mostra que o livro não morreu. Sim, livros continuam vendendo bem, assim como livros digitais. Mas acho que ele se referiu, principalmente, ao livro em papel. No decorrer da entrevista percebe-se que ele não é simpático ao eBook, ou não acredita nele como negócio.

O dono da livraria Cultura menciona que a Amazon tem um sistema de remuneração do autor de maneira direta, e que isso no Brasil não poderá ser aplicado. Por que não? No Brasil, o autor terá que ser eternamente o que menos ganha com a obra? Não concordo. E acho que a melhor coisa que o formato eBook pode fazer é remunerar melhor o autor. A Amazon já faz isso ao incluir, em seu catálogo, autores independentes e pequenas editoras.

A Editora Sucesso tem um título (Agressividade Infantil) que é comercializado em formato eBook pela Amazon. De forma alguma a Amazon se arvorou em dona do livro. Ao contrário, as exigências dela são grandes no sentido de ter certeza de que nós, da Sucesso, temos todos os direitos sobre o livro para poder disponibilizá-lo no site da Amazon.
Os eReaders e tablets são caros? Bem, se pensarmos em termos de iPad e Galaxy Tab, são mesmo caros. Mas o Kindle, o eReader da Amazon, custa U$ 199,00. Existem, no mercado, tablets a partir de R$ 200,00. Sinceramente, a elite paulista precisa pensar para além dos muros com cerca elétrica do bairro do Morumbi ou dos prédios de luxo cercados de seguranças armados do bairro de Higienópolis.

Ainda não é possível ter uma grande vendagem de eBooks? Sim, é verdade. Mas será que isso não se deve à própria política ainda tímida das editoras, pequenas ou grandes?

O livro é caro no Brasil, é verdade. Mas esse preço alto não pode ser debitado a impostos, como no caso de outros produtos. Afinal, o papel usado para os livros é o chamado "papel imune", sobre o qual o ICM é zero. Além disso, como é possível que um livro em papel custe, digamos R$ 40,00, e o mesmo título, em formato digital, custe R$ 38,50? Com esses preços, é óbvio que os eBooks não venderão muito e, pior, serão pirateados. O preço de um eBook, na opinião deste blogueiro, deve ser, no máximo, de 20% do valor do mesmo título em papel. Então, se o livro em papel custa R$ 40,00, o eBook deveria custar, no máximo R$ 8,00. A Editora ganhará na quantidade.

Com a política absurda de preços de eBook nas livrarias brasileiras, as vendas continuarão mirradas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Está chegando o tablet do Google

Numa entrevista ao jornal italiano Corriere dela Sera, Eric Schmidt deixou escapar (propositalmente, com certeza) que o Google planeja lançar um tablet em 2012.

Independente do suposto vazamento involuntário, é óbvio que o Google tem essa intenção. Senão vejamos:

1) o Google tem uma parceria com a Samsung na produção do Galaxy. A Samsung entra com o hardware e o Google com o software, uma variação do Android, do qual já falamos aqui.

2) o Google comprou a empresa Motorola. Uma das intenções desta compra é, obviamente, entrar no mais aquecido mercado de equipamentos digitais, o mercado de tablets.

Se for mesmo fabricado, o tablet virá com o sistema operacional Android 4.0 e, dessa forma, milhares de aplicativos estarão disponíveis para o equipamento desde o seu nascedouro.

O lado ruim dessa possibilidade é o crescimento desmesurado do Google, que já é chamado de Oráculo da Internet. Imagine-se o proprietário de um tablet do Google: ele terá o Google como sistema de busca, sistema operacional administrado pelo Google (verdade que essa administração é feita em parceria com outras empresas e instituições) e hardware fabricado pelo Google. É muita concentração de poder. Nem mesmo a Microsoft, quando era mais forte, conseguiu isso.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

O que é mais ecológico, livro ou eBook?

À primeira vista, temos a impressão de que a resposta é fácil: "Claro que o eBook é mais ecológico, pois não utiliza papel". Mas não é bem assim. Vejamos como encarar a questão:

No passado, quando o hábito de ler livros se popularizou e cresceu - começo do século 20 - realmente houve uma enorme destruição de árvores para que elas se transformassem em polpa de celulose e depois em papel. Hoje já não é assim: as árvores usadas para a produção de papel são plantadas em enormes fazendas. São eucaliptos, em geral, de variedades genéticas próprias.

O fato dos eucaliptos serem cultivados faz toda a diferença pois, com isso, o livro está contribuindo para retirar carbono da atmosfera através do crescimento das árvores. Elas crescem limpando o ar. Depois são transformadas em livros, os quais guardam esse carbono em suas páginas. Livros raramente são destruídos. Poucos os jogam na lata de lixo. Então, esse carbono retirado da atmosfera e convertido em páginas de livro é um carbono que fica fora de circulação enquanto durar o livro. E essa duração é longa, por vezes muitas décadas. Ponto para o livro no placar da sustentabilidade.

Por outro lado, temos que reconhecer que, com o aumento da população e da escolaridade dessa população, o crescimento do número de leitores voltou a ocorrer, principalmente nos países chamados "emergentes. E o eBook veio, então, para salvar áreas de floresta que poderiam ser derrubadas para atender ao consumo desses novos leitores.

Naturalmente, a produção do livro em papel, assim como do tablet, tem um custo ambiental. São máquinas e matérias-primas mobilizadas em ambos os casos. Mas a verdade é que os tablets estão cada vez mais finos, cada vez eles utilizam menos material. Isso ocorre não porque os fabricantes tenham preocupação ambiental. Não tenhamos ilusões sobre isso. A redução do peso dos tablets é imperiosa para a agradar ao público e também devido à redução do preço.

Quando um fabricante consegue reduzir o peso de seu tablet em, digamos 90 g, os concorrentes lutam para promover uma redução ainda maior.

Em um tablet podem caber milhares de livros. Nesse sentido, ele é bem mais ecológico.

Este artigo não tem a pretensão de encerrar a questão. Para isso, precisaríamos de dados aprofundados sobre origem do plástico, metal e resinas que cada tablet possui em seus componentes. Precisaríamos de cálculos complexos. Digamos que, por hora, identificamos pontos positivos de sustentabilidade, tanto no tablet como no livro em papel.


domingo, 27 de novembro de 2011

Sistema DLNA - o caminho da parceria


Este site é mantido por entusiastas da parceria e dos empreendimentos colaborativos. O ser humano é gregário. É com a participação de todos que as coisas evoluem mais. Por exemplo, já abordamos aqui o Sistema Android, que está em 90% dos tablets no mundo e que é desenvolvido por um conselho mundial, o qual inclui empresas e fundações  O Android está se tornando o sistema operacional universal para tablets.

Neste artigo falaremos do sistema DLNA, que vai muito além dos tablets. Ele não é um sistema operacional, mas sim um sistema de compatibilidade universal. Ou seja, com o DLNA sua televisão vai poder se conectar facilmente com o pen-drive, seu tablet com o celular (para navegar na internet, por exemplo), seu GPS com o computador. Não importa a marca dos produtos, sua procedência, sua tecnologia interna. Se os dois têm o sistema DLNA, eles podem conversar. É mais ou menos como um egípcio conversando com um argentino, em inglês. Se os dois falam inglês, este é, para eles, o canal idiomático de comunicação. Assim é o DLNA.

DLNA é a sigla para Digital Living Network Alliance, Boa palavra essa, aliança. Esse consórcio, do qual fazem parte grandes empresas de tecnologia de vários países.

Então, imagine como nossa vida será facilitada quando todos os nossos aparelhos eletrônicos tiverem esse canal de comunicação. Imaginemos a cena:

Você tem uma antiga foto em papel, e quer mandar para um parente. Ao invés de tirar uma foto da foto - o que faria a imagem perder qualidade - você simplesmente conecta seu smartphone com o scanner (conexão sem fio). Escaneia a foto com boa definição e ela já é salva no telefone, facilitando o envio para quem você quiser. Não é preciso nem ligar o computador.

Outra hipótese:

Você quer imprimir um documento digitado no seu tablet, talvez para assiná-lo e regsitrá-lo em cartório - por enquanto isso ainda é necessário - e, assim, ter um comprovante de segurança. Mande diretamente do tablet para a impressora. Simples assim, com o sistema DLNA
Isso, de certa forma, obriga as empresas de tecnologia a adotarem o DLNA em seus equipamentos. Afinal de contas, quem quer ficar excluído de um sistema como esse? As empresas sabem que o consumidor, num futuro próximo, estará cada vez mais atento a isso: muitos dirão: "se não tiver DLNA, não vale a pena comprar". Então, pensam as empresas, melhor adotar agora do que ter que correr depois.

Essas considerações nos levam a voltar os olhos para uma das poucos empresas que querem ficar isoladas: a Apple. A pressão sobre a maçã mordida será enorme. Ficarão os produtos Apple segregados num apertado nicho, fora do DLNA, enquanto lá dentro, no salão amplo, estará acontecendo a maior festa?
 

O site oficial do sistema DLNA é este.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

As crianças e a era digital

fotógrafo: Arvind Balaraman
Este site tem contato com professores, tanto de escolas privadas como da rede pública. Uma professora de escola pública estadual nos contou o seguinte: ela ajudou os alunos de uma de suas classes a escrever as famosas cartas a Papai Noel, pedindo um presente de Natal. O resultado não surpreendeu: praticamente todos os pequenos (de 8 e 9 anos) pediram tablets ao bom velhinho.

Não é à toa que o comércio varejista está a prever que este será o "Natal dos tablets". Com seu preço bem menor do que o de um computador (1), os tablets permitem navegar na internet, receber emails, conversar ou jogar online com amigos, ouvir música, ler livros e, conforme o modelo, assistir vídeos.

O que está ocorrendo é que as crianças que já nasceram na era digital não têm medo de explorar esse mundo fascinante que a internet nos disponibiliza. Enquanto os adultos (principalmente os mais velhos) têm uma grande resistência em aprender mais sobre computadores, tablets e internet.

Os tablets que as crianças desejam não é o iPad ou o Galaxy, com preços estratosféricos e totalmente fora da realidade do país. O que elas querem é um tablet, ponto. Elas anseiam por estarem conectadas, estarem em contato com seus amigos que já têm tablets.

Essas crianças e jovens navegam na lan-house, no smartphone ou no computador de casa. A internet já faz parte da realidade deles, assim como a luz elétrica faz parte da realidade dos adultos. Assim como os mais velhos não concebem a possibilidade de ficarem sem serviço de eletricidade, os jovens não aceitam a possibilidade de ficar desconectado da internet.

Por isso, a "onda" dos tablets é avassaladora. No caminho, essa tsunami varrerá aquelas empresas que não se prepararem adequadamente para essa nova era em que a tecnologia digital dominará a tv, o rádio, a telefonia, o jornalismo e a publicação de livros.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A crise e o eBook



Notícia do jornal espanhol El País nos informa que a venda de eBooks na Espanha aumentou 40% em relação a 2010. São 13000 obras digitais, representando 15% do total de livros registrados Pela Agência do ISBN, que corresponde à nossa Biblioteca Nacional.

O formato de arquivo mais utilizado nos eBooks vendidos é o epub, correspondendo a 60% do total das obras digitais. O formato pdf fica com apenas 31%.

Ora, a Espanha tem uma dívida externa de 160% do PIB (a nossa é de 38,8% do PIB). A Espanha tem uma reserva em dólares de menos de U$ 35 bilhões (a nossa é de U$ 350 bilhões). O desemprego na Espanha está em 23% e subindo (o nosso está em 7% e caindo). A Espanha está em uma difícil situação econômica!

Como se explica que um país em grave crise tenha um aumento de comercialização de eBooks? A notícia do El País não é muito clara sobre isso. Não sabemos se o total de títulos vendidos (juntando os dois formatos, em papel e digital) aumentou. Provavelmente não. Talvez a própria situação de crise explique esses dados. Um eBook é muito mais barato do que o livro em papel. Na Amazon temos eBooks sendo vendidos a U$ 0,99. O autor (assim como a Amazon) ganha na quantidade.

A venda de eBooks no Brasil está crescendo rapidamente. Mas muitos ainda preferem o livro em papel. Talvez porque o Brasil (e toda a América do Sul) estejam sentindo bem menos a crise, que se tornou uma crise especificamente da Europa e dos EUA, embora, logicamente, terá reflexos em todo o mundo. Por aqui, os livros são vendidos a preços como R$ 50,00 um livro de 250 páginas!! E há quem os compre. Muitos os compram. Não estamos em crise.

Talvez, nas próximas décadas, o livro em papel se torne um luxo para poucos, enquanto que o Ebook será um produto popular. Se um país estiver em crise, isso poderá ser medido pelo decréscimo da venda de livros em papel e proporcional incremento da comercialização de eBooks. Podemos fazer uma analogia com o cinema e o teatro. O cinema é mais acessível. O teatro é para poucos pois é caro.

O teatro nunca deixará de existir. Mas será, para sempre, um pequeno nicho de mercado para um público específico. Por outro lado, o cinema fez muito sucesso durante a crise de 1929. Era barato e os desempregados, dessa forma, tinham uma diversão.

O cinema, aos poucos, passará a ser um cinema em casa, nos aparelhos de tv de parede inteira. Assim como o eBook, que se transportará para qualquer tipo de mídia que vier a ser criado. O livro em papel será uma mercadoria cada vez mais preciosa e cara.


sábado, 19 de novembro de 2011

A Apple e o mundo real


É preciso reconhecer que a Apple é uma empresa de sucesso. Ela faz produtos "exclusivos", para um público exclusivo.

Quando falamos do iPad, o tablet da Apple, falamos de sofisticação, design e qualidade. Mas há, na Apple, uma atitude de separatismo que pode levar a empresa a declinar num mundo em crise.

O isolacionismo da Apple foi abordado, nesta semana, numa matéria do Portal iG, com o título: Apple é uma das empresas mais fechadas do mundo. Um trecho da matéria:
Quem visita as maiores feiras de tecnologia do mundo, como a Consumer Electronics Show, realizada todo início de ano em Las Vegas (EUA), vê os lançamentos das maiores fabricantes de computadores, smartphones e tablets, mas sente falta de uma empresa. Apesar de haver estandes abarrotados de capas protetoras e acessórios para o iPhone e o iPad, a Apple nunca está presente na feira. Já as concorrentes, como a Samsung e a LG, usam essas grandes feiras como vitrines para seus principais lançamentos. Enquanto isso, a Apple apresenta seus produtos em poucos eventos, alguns deles em sua própria sede, em Cupertino (EUA).
Tudo na Apple é separado dos "outros". A ideia é manter os produtos da Apple no Olimpo dos desejos de consumo. Mas o risco é que eles ficam por lá mesmo, no Olimpo, enquanto as pessoas pensam: "O iPad é o máximo. Mas, por enquanto, vou comprar o Kindle Fire".

A empresa é de temperamento difícil até mesmo quando tem que se submeter às legislações dos países nos quais atua. Aqui no Brasil, na África do Sul e na Costa Rica a empresa não pode vender seus jogos, pois ela se recusa a aceitar a avaliação dos governos quanto à classificação indicativa desses jogos. A Apple quer fazer, ela mesma, essa classificação. Ou seja, ela quer ser um poder acima dos governos.

O fato do iPad usar um sistema "exclusivo" (outra vez essa palavra), ao invés do sistema universal Android, cria um muro entre o iPad e milhares de aplicativos para tablets disponíveis no mercado. Até mesmo a poderosa Amazon usa o Android em seu Kindle Fire.

Não é impossível ler, no iPad, livros eletrônicos baixados da web. Mas é difícil, requer um conhecimento que boa parte dos leitores de eBooks não têm. E nem querem ter. Tudo o que eles querem é ler o livro, ora bolas!

Então, repetimos vaticínio que já fizemos aqui: a Apple tem que tomar cuidado com tanta exclusividade. De tão exclusiva, a empresa pode perder as oportunidades que se apresentam a quem adota uma atitude INCLUSIVA.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Convergência para onde?

Imagem: Michal Marcol


Em 2016, segundo as metas oficiais, a TV digital estará implantada em todo o Brasil. Mesmo que haja algum atraso, terminaremos a década com a TV digital em pleno funcionamento.

Estamos, portanto, caminhando para o fim das "emissoras" de TV. Aliás, as antenas já não são mais tão fáceis de se ver nos telhados das casas, pois boa parte dos lares tem tv a cabo.

Já tivemos o fim da máquina de escrever e dos antigos LPs, entre outros itens. Agora caminham para a extinção o CD, o telefone fixo, a televisão aberta e as câmeras fotográficas com filme.

Temos que citar também o previsível fim das videolocadoras, com o advento das empresas de filmes online. Os cinemas também terão seu público reduzido, pois muitas famílias terão a opção de assistir filmes no conforto do lar, na TV ultra-hiper-hd de muitas, muitas polegadas.

O livro em papel ainda permanecerá muitos anos, mas agora convivendo com o livro digital, o eBook. No futuro, talvez na próxima década, a tendência é a de que o livro em papel fique restrito a bolsões culturais mantidos por aficcionados. Assim como o livro manuscrito seguiu, por algum tempo, lado a lado com o livro impresso, também o livro em papel seguirá com seu mercado, ao lado do eBook.

Mas, respondendo à pergunta que dá título a este artigo, a convergência de todas as mídias é para uma única: a internet. Não é à toa que a web é chamada de "a mídia de todas as mídias". Para ela convergirão rádio, tv, cinema, telefonia, fotografia, literatura, educação... esqueci alguma coisa? Ah, sim, também para a internet convergirão revistas, jornais, noticiários e veículos informativos em geral. No Brasil e no mundo, a venda de jornais e revistas decresce.

Por isso, vamos nos acostumar à ideia de que assistiremos à televisão por sinal de internet, assim como por ela ouviremos rádio, leremos jornais e faremos cursos à distância e efetuaremos ligações telefônicas. Com vídeo, claro!

Nesse novo mundo, os tablets serão companheiros de bolso e de bolsa. Não sairemos de casa sem eles.


domingo, 13 de novembro de 2011

A qualidade do livro

O eBook maltratado



Nos últimos tempos, entrei em contato com ótimos eBooks, no Kindle. Mas também com eBooks mal escritos, mal diagramados, com erros de português e de digitação.

O eBook é muito mais do que um livro. Digamos que hoje ele ainda mantém laços com o livro. Mas a tendência é que ele se torne uma forma nova de arte, que mistura música, literatura, cinema e artes plásticas. Isso será possível em breve, com a evolução do formato epub.

Mas deveríamos todos encarar, desde já, como arte, da mesma forma que o livro em papel. Mesmo que não seja literatura, que seja um livro técnico, é arte. Assim, deve ser criado da melhor forma possível, com esmero, poesia e estética.

Erros de português todos cometemos. Para isso existe a cuidadosa revisão. Correndo o risco de ser cabotino, deixo registrado aqui que as revisões da Editora Sucesso são tão cuidadosas que, às vezes, uma única frase é motivo de debate durante 5 ou 10 minutos, até decidirmos por uma solução. (1)

Na década de setenta, durante meu curso de engenharia, estudei a Teora da Relatividade no excelente livro de Robert Resnick, Introdução à Relatividade Especial. Pois o livro está tão bem diagramado, ilustrado e composto, que até hoje o guardo com carinho, embora já esteja com as folhas amareladas pelo tempo. É um livro técnico, mas também é um objeto de arte.

Os antigos compuseram os livros de pedra e argila que os arqueólogos estudam e guardam. Imagine-se se esses humanos do passado tivessem feito seus livros com displicência, achando que não eram importantes, que eram apenas uns rabiscos no barro. A humanidade sairia perdendo.

Um registro eletrônico provavelmente durará milênios, pois é espalhado por milhares de computadores ao redor do mundo. Então, sejamos carinhosos com os leitores e com os pesquisadores do futuro. Façamos do eBook, cada vez mais, se aproximarem da perfeição, mesmo que saibamos que nunca iremos alcançá-la.


(1) Neste site, muitas vezes essa revisão não é possível, devido à dinâmica do blog. Por isso, erros aqui surgem em número maior, o que me incomoda sobremaneira.


domingo, 6 de novembro de 2011

Impressões de BH



Estou compondo este artigo do blog num espaço público de BH, usando meu netbook e a excelente conexão wireless que a prefeitura da cidade disponibiliza por toda uma área.

Comigo tenho vários equipamentos eletrônicos. Façamos um inventário: netbook, kindle, mp3 player. celular, pendrive e um relógio com mostrador digital.

Em minha estada na capital mineira encontrei um garoto de 8 anos que tem dois notebooks antigos que seus parentes passaram para ele ao comprarem equipamentos mais atuais. Tem também um tablet que ele usa para jogar e colecionar figurinhas virtuais.

Mônica, uma bela moça de origem libanesa, usa um poderoso PC em seu trabalho e outro, também potente, em casa. Prova viva de que o PC não morreu. Bem longe disso. Ela também usa notebook, smartphone, etc. Sua mãe adora jogos de computador, preferencialmente corrida de automóveis. Também assiste a vídeos do Youtube, e se diverte muito com eles. 

Nos shoppings, como o Diamond Mall, jovens, crianças e adultos usam seus celulares e smartphones para combinarem passeios. Nos farois, não se vê mais as crianças pobres fazendo malabarismo. Perguntei a um taxista onde elas estavam, já que eram comuns em todos os semáforos do centro. Ele me respondeu:
- Estão na escola, doutor. É o Bolsa-Família. Se elas não estiverem frequentando a escola e a fiscalização descobrir, a família perde o Bolsa-Família.
Aproveitei o início do papo já entabulado e comentei:
- O GPS facilitou a vida dos taxistas, não?
- E como, doutor. A cabeça do taxista não precisa mais guardar nome de rua e localização. Assim, fica mais livre para se concentrar no trânsito.

Os mineiros são muito acolhedores. São muito inteligentes e percebem o que há por trás dos fatos e das pessoas, mesmo quando fazem um ar de desentendidos.

Belo Horizonte conectada não perdeu seu ar de Belo Horizonte. Apenas o atualizou. O sotaque é o mesmo, agradável. Completamente diferente do sotaque do interior de Minas. As ruas continuam bonitas e arborizadas, pelo menos no centro e Savassi. Mas as pessoas têm mais informação. Seja o garoto de 8 anos que tem um tablet e dois notebooks, seja o taxista, seja a moça de origem libanesa e sua família. Claro, isso não quer dizer que as pessoas efetvamentee se informarão mais. Mas pelo menos têm uma porta aberta para isso.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Inclusão digital avança

Brasil já é o terceiro no mundo
em número de internautas
Créditos da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
Levantamento do Instituto Ibope Nielsen Online mostrou que o Brasil superou a Alemanha em número de pessoas com acesso à internet. Chegamos a 46,3 milhões de internautas.

No ano passado, já havíamos superado a França e o Reino Unido. Dos BRICS (conjunto de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China e África do Sul) nós estamos na frente em crescimento do número de computadores. Os índices brasileiros se superam a cada ano.

Estamos atrás apenas dos EUA, campeoníssimos, com 203 milhões de usuários da web, e do Japão, que ocupa o segundo lugar com 62 milhões de internautas. China e Índia, embora tenham populações que superam 1 bilhão de pessoas, são países de famílias predominantemente pobres. Por isso, ficam para trás nessa corrida pela inclusão digital. Rússia e África do Sul, além de também sofrerem com o alto índice de pobreza, têm populações bem menores que os dois gigantes asiáticos.

O número de residências brasileiras com acesso à web subiu de 48 milhões, em 2010, para 58 milhões no terceiro trimestre de 2011, um crescimento assombroso, que corre junto com o crescimento do número de computadores. Esse foi o maior crescimento anual já registrado na década.

Internet fora de casa

Quando se inclui, nesse levantamento, os acessos à web no trabalho, na escola, em lan houses, etc, os números são ainda mais impressionantes: atingimos 77,8 milhões de internautas!

É líquido e certo que esses internautas que ainda não têm internet em casa almejam esse acesso. Certamente esse Natal será um Natal eletrônico, em que muitos computadores, tablets, notebooks e netbooks sairão das prateleiras das lojas para as residências da classe média emergente.

Uma outra possibilidade, para os jovens que já têm um aparelho portátil mas ainda não têm internet em casa, é o acesso sem fio em livrarias, rodoviárias e locais públicos. Por exemplo, a rodoviária de Belo Horizonte tem internet sem fio de alta velocidade oferecida pela prefeitura. Outro exemplo é a Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, que tem internet sem fio gratuita oferecida pelo governo do Estado.

Há também muitas pequenas cidades que oferecem acesso à web, gratuitamente, a todos. Damos aqui o exemplo da cidade de Pedreira, interior de São Paulo. A prefeitura provê, a todos os 45.000 habitantes, internet sem fio.

Isso representa um mercado potencial de fazer cair o queixo de todos os comerciantes. Imagine-se as possibilidades de venda de livros eletrônicos a essa população ávida por desbravar um novo mundo que, na década passada, estava completamente fora de suas capacidades financeiras.

Até as novelas começam a focar a nova classe média
Potencial de expansão

Estamos entrando na segunda década do século. A ascensão do Brasil parece acelerar ainda mais. Enquanto a Europa tenta sair de uma crise infindável, o Brasil se dá ao luxo de fazer duras exigências para permitir que empresas automobilísticas se instalem aqui, o que mostra a pujança de nosso país.

Para as editoras, é um momento mágico, de conquistar esses novos clientes, oferecendo preços competitivos, tanto para livros em papel, como para os eBooks. No caso dos eBooks, as pequenas editoras estão em vantagem, pois seus custos são menores e elas são capazes de ter um relacionamento mais próximo com os clientes.

Aliás, como pode ser esse relacionamento? Falaremos disso em breve.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os autores nacionais

Complexo de vira-latas no mundo dos livros


Muito se fala do chamado complexo de vira-latas do brasileiro. Essa expressão foi criada pelo dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, e caiu como uma carapuça naquelas pessoas que acham que só o que é bom é o que vem de fora.

Tempos atrás, no auge da era Harry Potter, um autor brasileiro, com mais de 10 livros publicados, com um público cativo, tentou, em várias livrarias, colocar algum cartaz ou propaganda de seu novo livro. As livrarias se recusaram. Não era possível. Não havia espaço. Quando ele argumentou que havia espaço para colocar caldeirões de Harry Potter nos corredores da livraria,  e cartazes do livro O Senhor dos Aneis pendurados por toda a loja, os gerentes das livrarias respondiam algo como:

- Ah, mas é o Harry Potter, né?

Para o Harry Potter, que vem da Europa, há espaço de sobra. Mas um autor brasileiro, com venda garantida, não pode contar com isso. Para romper esse bloqueio, é preciso ser um Jô Soares, um Paulo Coelho, ou então algum artista. Mesmo assim, eles não têm o destaque que os livros vindos de fora têm.


Este blogueiro não tem nada contra Harry Potter. Ao contrário, gosto muito da série, que revela, entre outras coisas, os meandros das relações humanas, mormente as relações entre o professor e o aprendiz. Gosto muito do Senhor dos Aneis, um livro que conseguiu condensar boa parte da mitologia nórdica, o que não é pouca coisa.

Mas gostaria de ver os autores brasileiros tratados com a mesma deferência dos estrangeiros. Algumas livrarias nos dão a nítida impressão que priorizam os romances vindos da Europa ou dos EUA, mesmo que sejam de baixa qualidade.

É impressionante como ainda temos esse complexo de vira-latas, mesmo com o Brasil sendo respeitado e admirado em todo o mundo, enquanto a Europa naufraga em dívidas. É hora de eliminarmos esse cacoete do passado. Somos uma das nações mais poderosas do mundo. Somos o terceiro país do mundo em acesso à internet, à frente da Alemanha e atrás apenas da China e dos EUA. Enquanto a Europa vai de pires na mão ao FMI, o Brasil se dá ao luxo de fazer duras exigências para autorizar empresas a se instalar em nosso país.

Esperemos que o eBook democratize mais o acesso dos autores brasileiros ao público leitor. Ao que parece, isso tem todas as chances de acontecer. O próximo Natal será, no dizer de alguns, "o Natal dos tablets". Os preços desses computadores ultra-portáteis estão caindo, ainda mais agora com a redução de impostos.

A Europa e os EUA vivem uma crise econômica muito grave. Essa crise, certamente, se refletirá numa crise de criatividade. Teremos menos autores estrangeiros lançando obras com uma megaestrutura de apoio logístico e de marketing. Até nos filmes sentiremos isso. Este ano não tivemos James Bond!! Pura falta de recursos.

Como dizem os chineses, crise é oportunidade. Que esta dificuldade da Europa e dos EUA sejam uma porta aberta para os autores brasileiros ganharem espaço nos corredores das livrarias brasileiras.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Bibliotecas sucateadas

Todas as bibliotecas deveriam ser lugares agradáveis e aconchegantes
O eBook pode ajudar
a democratizar as bibliotecas

As bibliotecas públicas estão em decadência. Vazamentos, perda de livros, falta de conservação, etc.

Conheço um rapaz de 17 anos que, de tanto encontrar fechada a biblioteca de sua escola (estadual), acabou desistindo de pegar emprestado o livro Iracema, de José de Alencar. Acabou baixando da internet e imprimindo algumas páginas, já que ele (ainda) não tem tablet.

Já frequentei muito as bibliotecas municipais. Em décadas passadas, elas eram um lugar maravilhoso, com tesouros prontos para ser encontrados em cada corredor, em cada estante.

Certa vez encontrei, na Biblioteca Municipal do Bom Retiro, um livreto manuscrito (manuscrito!!) perdido em cima de uma prateleira mais alta: tratava-se do compêndio "Nosso amigo, o jumento", de um monge franciscano. Uma preciosidade.

O descaso do poder público está destruindo as bibliotecas. Até quando?

Enquanto as bibliotecas físicas não melhorarem seu acervo e seu atendimento ao público, as bibliotecas virtuais podem ser uma solução provisória para disponibilizar, aos leitores, uma infinidade de títulos em formato dgital.

A Biblioteca Nacional está organizando um enorme acervo virtual, conforme noticiamos aqui. Para além dessa iniciativa, há uma enormidade de livros digitais disponíveis gratuitamente na web, ou porque os direitos autorais expiraram, ou porque o autor decidiu disponibilizar sua obra na internet.

De qualquer forma, mesmo contando com os livros digitais, é preciso que exijamos do poder público (mormente das prefeituras) que o acervo de livros seja bem cuidado e que as bibliotecas funcionem adequadamente.

Se quisermos que a população mais pobre aumente seu índice de leitura, devemos lhes dar condições para tanto.


domingo, 30 de outubro de 2011

Os tablets servem para quê?

Estímulo à leitura é fundamental


Este blog já publicou matéria questionando o uso que os jovens dão aos tablets. Esses computadores de mesa servem para receber emails, navegar na internet, ouvir música, brincar com jogos eletrônicos, conversar online com os amigos, receber notícias... e também para ler livros. Mas ler livros é, para muitos jovens, a última coisa que eles pensam em fazer no tablet.

Não podemos culpar os tablets pelo fato de que poucos os usam para ler livros. Nossa Educação, aqui no Brasil, é copiada do modelos dos EUA. E a Educação nos EUA faliu, como eles próprios reconhecem. Lá, como aqui, a Educação da população não é prioridade. Para percebermos isso basta olhar para as escolas públicas de primeiro e segundo grau: vidros quebrados, prédios velhos, lugares feios e sujos para nossas crianças. Professores recebendo menos de R$ 1.000,00 por mês por 40 horas semanais. Como esperar que esses professores comprem livros ou façam cursos de especialização, com esses salários? Aguardamos o que têm a dizer, em sua defesa, os governadores de estado, que são os principais responsáveis pela educação das crianças menos abastadas e que, portanto, frequentam escolas públicas estaduais.

Por que um jovem da Europa ou do Oriente Médio lê mais, muito mais que um jovem dos EUA ou do Brasil? Até mesmo se compararmos com países da América Latina, o Brasil ainda lê muito pouco: cerca de 1,8 livros por habitante por ano. A Colômbia, por exemplo, tem índice de 2,4 livros por habitante por ano, mesmo sendo um país bem mais pobre que o Brasil. Acontece que, na Europa, mesmo hoje, com a crise, Educação pública de qualidade é prioridade de muitos governos. E a América Latina se espelha muito na Europa, exceto o Brasil, que se espelha nos EUA.

Para se ter uma ideia de como anda o índice cultural nos EUA, basta lembrar que, anos atrás, a rede de lanchonete MacDonalds colocava, no papel que forra a bandeja, pequenos textos abordando curiosidades, histórias engraçadas, etc. Quando a empresa resolveu não colocar mais esses textos, alguns pediram que eles fossem mantidos, argumentando o seguinte: esses pequenos textos representavam nada menos do que 10% de TUDO o que um cidadão médio dos EUA lia por ano!!!

Estamos melhorando: em 2004, o número de brasileiros sem acesso à leitura era de 14 milhões. Sem acesso porque viviam em lugares absolutamente pobres e sem recursos. Hoje esse número caiu para 7 milhões.

O Plano Nacional do Livro e Leitura, programa do governo federal em parceria com o setor privado, pretende elevar em 50% o índice anual de leitura, através da distribuição de livros a preço popular - R$ 10,00 por exemplar - e ampliação da oferta de bibliotecas públicas.

O tablet é apenas um veículo para o eBook, assim como o papel é para o livro. Se não estimularmos as crianças à leitura, elas continuarão lendo poucos livros em papel ou em formato digital.

O tablet serve para quê? Bem, se estimularmos cada vez mais a leitura, o tablet será uma ótima ajuda, pois os eBooks têm o preço bem acessível. E como já temos, no Brasil, tablets a partir de R$ 150,00, é uma ótima oportunidade de ampliar o índice de leitura de nosso país.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O autor e a editora - uma relação conflituosa?


Caso real.

Certa vez, uma psicóloga escreveu um excelente livro sobre educação infantil. Escreveu porque tinha, dentro de si, conhecimentos, descobertas, carinhos e intuições que ela sentia que precisava compartilhar com o mundo.

O livro demorou dois anos para ficar pronto. A autora conseguiu um capista, um ilustrador. Aquele livro era uma parte dela mesma, um filho, o primeiro livro.

Terminada essa fase, a psicóloga estava feliz. Então, começou a procurar editoras para publicar seu trabalho. E ficou revoltada.

A primeira grande editora que ela consultou - editora essa que não existe mais - respondeu que, para publicar o livro, ela, autora, teria que pagar o correspondente, em dinheiro de hoje, a R$ 7.000,00. Era uma espécie de "taxa de adesão", explicou o representante da empresa.

O livro, então, seria publicado, numa edição de 1000 exemplares. A editora pagaria ao autor 7% correspondente aos direitos autorais. Só que esse pagamento seria feito em livros. Assim, os direitos autorais se converteriam em 70 livros entregues em casa pela editora.

Ora, com esses valores, seria como se o autor tivesse comprado seu próprio livro, por R$ 100,00 cada um!! Além do mais, a empresa se tornaria detentora dos direitos sobre o livro, decidindo quando e se publicá-lo.

Trata-se de um contrato draconiano, no qual a editora pode tudo e o autor é um mero estorvo no caminho.

A psicóloga procurou outras editoras. Algumas não se interessaram. Outras ofereceram mais ou menos o mesmo que a primeira, ou seja, o autor paga, a editora ganha.

Essa psicóloga resolveu a questão de uma maneira revolucionária: abriu uma editora, encontrou uma empresa gráfica com qualidade e preços bons, e publicou seu livro. Abriu um site, coisa que na época ainda era um exotismo que as pequenas empresas não faziam. Mandou press releases para veículos de comunicação, deu entrevistas.

Hoje essa editora é procurada por muitos autores que estão na mesma condição que ela vivenciou. A diferença é que a proprietária é uma autora e, sendo assim, trata com civilidade um possível parceiro. Ao invés de um contrato draconiano, uma parceria produtiva e vantajosa para ambos.

Muitos autores passam pela via-crucis descrita acima. As grandes editoras, hoje, são empresas preocupadas com lucro. E quem pode culpá-las? De outra forma, talvez não sobrevivessem.

As pequenas editoras também querem lucrar. Mas elas ainda são dirigidas por livreiros, isto é, pessoas que são autores ou que, no mínimo, gostam de livros.

É isso que falta para as grandes. E é esse conflito que pode se resolver de maneira inesperada com o evento do eBook. Esse assunto continua no próximo artigo.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Publicar um livro - o autor e as editoras

Imagem: photostock / FreeDigitalPhotos.net

No post anterior, demos algumas informações de como publicar o livro de maneira independente, sem a participação de uma editora. Como dissemos, pode ser uma boa opção se o autor tem onde vender sua obra (em papel ou em formato digital). Pode ser venda para seus alunos, para seus clientes, ou pelo seu site.

Porém, a (o) autora (autor) de livros é, às vezes, uma pessoa solitária. Não que não tenha amigos, mas são poucos. Nesse caso, quando se trata de uma obra ficcional, sem um público específico, fica impraticável publicar de forma independente. É preciso contar com a experiência de profissionais da área.

Mesmo no caso de obra direcionada, o autor só tem a ganhar se fizer parceria com uma editora. Ao invés de vender apenas para seus alunos ou clientes, o autor poderá vender também para o público em geral.

A editora cuidará de várias etapas da publicação do livro, que são:

- revisão ortográfica e gramatical - mesmo que o autor jure que o livro não tem erros, a editora os encontrará. Em média, as pessoas que escrevem bem cometem 10 erros por página.

- diagramação - para formato em papel e/ou digital. Uma boa diagramação é fundamental para que a leitura seja uma experiência agradável.

- arte da capa - é estratégica, pois a capa será, provavelmente, a única "propaganda" do livro.

- tratamento de imagens e criação de ilustrações, caso a obra necessite.

- registro na Biblioteca Nacional - só a partir daí o livro existe oficialmente.

- geração do código de barras - sem ele o livro estará interditado para venda em grandes redes.

- inscrição do livro em concursos literários e em editais públicos.

- venda do livro no site da editora, gerando direitos autorais para o autor.

Em geral, sempre que entramos numa empreitada em parceria com profissionais, temos sucesso. Para construir uma casa, chame um pedreiro. Para publicar um livro, chame uma editora.

Questiona-se esse papel quase exclusivo das editoras no caso dos eBooks. Realmente, empresas podem lançar eBooks sobre seus produtos, universidades lançam eBooks que serão usados por seus alunos. Porém, a editora é, por excelência, a empresa que, pelo menos em tese, está mais capacitada para atuar no mercado editorial. Se a obra é um livro ficcional, biográfico, filosófico, cabe a uma editora fazer com que ele se torne realidade.

Há também a possibilidade de o autor lançar sua obra de maneira independente mas, mesmo assim, recorrer aos serviços profissionais de uma editora. A proposta é, desta forma, desfrutar do melhor dos dois mundos: por um lado, uma publicação com qualidade profissional e, por outro, a liberdade do autor de comercializar essa publicação por si mesmo, auferindo, em tese, mais lucro.

O gargalo, tanto para as publicações em papel como no formato digital, está na distribuição. Não é fácil ser notado nesse mar de informação em que as pessoas navegam. E, para vender, é preciso ser notado. Para distribuir, é preciso ser notado pelas livrarias. E elas são fustigadas diuturnamente por representantes de pequenas, grandes e médias editoras. Só que as prateleiras (e os sites) têm espaço limitado. Os livros travam uma batalha subterrânea para chegar às estantes e poderem ser vistos pelos seres mais importantes do Universo dos livros: o leitor.

Sobre distribuição, falaremos mais em outros artigos.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Quero publicar meu livro

Créditos da magem: dan / FreeDigitalPhotos.net
Muitos autores terminam seus livros e se sentem perdidos na hora de escolher uma editora ou, até mesmo, publicar de maneira independente seu trabalho.

A forma independente pode ser viável se, por exemplo, é um trabalho técnico de um professor que o distribuirá a seus alunos. Ou se o (a) autor(a) tem um site sobre o assunto específico tratado no livro e o comercializará através desse site.

Para comercializar o livro num site, o ideal é que se disponibilize um serviço de e-commerce, como o PayPal, por exemplo. Dessa forma, o pagamento poderá ser feito com cartão. A compra por cartão é feita por impulso. A compra que exige o pagamento de um boleto no banco acaba resultando em um enorme número de desistências, acima de 70%. Isso ocorre porque a pessoa perde aquele entusiasmo inicial no tempo entre a compra e o pagamento do boleto numa agência bancária.

Outros procedimentos importantes são registrar o livro na Biblioteca Nacional e obter o ISBN, o número identificador daquele livro. De preferência com o código de barras, para que o livro possa ser vendido em grandes livrarias. Além disso, o registro na Biblioteca Nacional previne os plágios. Um livro só existe, verdadeiramente, a partir do momento em que tem ISBN.

Outro fator importante para o sucesso de um livro é sua capa. Não tem que ser só uma capa de bom gosto. Ela tem que vender o livro, ser sua principal propaganda. Muitas capas premiadas em concursos são de livros que não venderam bem, mesmo sendo de obras com reconhecidas qualidades literárias. A capa "premiada", que agradou aos críticos, afugentou o público.

É preciso fazer uma revisão ortográfica e gramatical muito rigorosa. Mesmo assim, muitos erros acabarão passando. Mas que seja o mínimo possível, dentro de nossa falibilidade humana.

A diagramação é fundamental para que a leitura seja uma experiência agradável. A diagramação tem sutilezas que passam despercebidas, muitas vezes, ao autor, mas o leitor inevitavelmente sentirá o efeito dos erros e acertos da diagramação.

A outra opção, para o autor, é procurar uma editora, grande ou pequena. Falaremos sobre isso num próximo artigo.


domingo, 23 de outubro de 2011

Polêmica: A Amazon sequestrou o Android?


Esta matéria é baseada nesta aqui, em inglês: Amazon Kindle Fire Just Hijacked Android


A acusação que o articulista faz ao novo tablet da Amazon, o Kindle Fire, é que o dispositivo usa o Android mas esconde o quanto pode essa informação do usuário. Além disso, a Amazon alterou a aparência do sistema operacional para se adequar ao seu estilo, ao seu design.

A questão filosófica por trás é: se o Android é gratuito, então as empresas podem utilizá-lo à vontade e fazer qualquer coisa com ele? Não é bem assim. Esses casos polêmicos cada vez acontecerão mais, pois os softwares livres e os de domínio público cada vez irão iteragir mais com softwares proprietários e equipamentos específicos de determinadas empresas.

Recentemente, tivemos o caso do Blender, excelente programa de código livre (open source), gratuito, que estava sendo vendido com outro nome por espertalhões digitais.

A questão é: o Android é software livre? Não exatamente, pois há severas restrições impedindo usuários ou empresas de alterar seu código-fonte, ou seja, de alterar o programa. E essa liberdade de alterar é o que caracteriza o software livre. O Kindle é um equipamento específico da Amazon, e o sistema operacional foi direcionado para compras de eBooks e outros arquivos no site da Amazon. Uma empresa gigante como a Amazon não aceitaria usar o Android tal e qual ele é distribuído na Internet. Com certeza essas alterações foram decididas pelos técnicos, pelo departamento de marketing, pelos acionistas.

De qualquer forma, não deixa de ser significativo que a poderosa Amazon tenha sido obrigada a se curvar à tsunami avassaladora do Android. Até aqui, a empresa tinha seu sistema operacional próprio, assim como a Apple tem. São sistemas exclusivistas, ou seja, excludentes. Pouco se comunicam com o mundo "lá fora", onde o Android está no topo da escala evolutiva.

Se foi sequestro ou não, é discutível. Mas a Amazon se rendeu à realidade do mercado. Quem sabe a próxima seja a Apple...